Atualmente, patamar é o maior desde julho de 2026

Foto: Banco Central/Reprodução
O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza nesta quarta-feira sua reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. A decisão ocorre em um momento de incertezas globais, principalmente devido ao conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A expectativa do mercado financeiro, segundo o boletim Focus, aponta para uma redução mais conservadora da taxa, de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,75% ao ano. Esta projeção representa uma mudança em relação à expectativa anterior de corte de 0,5 ponto, alteração motivada pelo cenário internacional instável.
* O Copom enfrentará a reunião com desfalques importantes, já que os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expiraram no fim de 2025.
* A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou aceleração para 0,7% em fevereiro, impulsionada principalmente pelos gastos com educação. No entanto, em 12 meses, o índice recuou para 3,81%, ficando abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
* As projeções para a inflação em 2026 foram revisadas para cima, passando de 3,8% para 4,1%, principalmente devido às tensões no Oriente Médio. Este valor se aproxima do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
A taxa Selic serve como referência para as demais taxas da economia e é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC opera diariamente no mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais, para manter a taxa próxima ao valor definido nas reuniões do Copom.
O novo sistema de meta contínua, implementado desde janeiro de 2025, estabelece uma meta de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Neste modelo, a meta é verificada mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses.
O Banco Central manteve em seu último Relatório de Política Monetária a previsão do IPCA em 3,5% para 2026, embora essa estimativa possa ser revista na próxima edição do documento, prevista para o final de março.