Especialista em gestão trabalhista, Vanessa Soares mostra como o conhecimento técnico e a estratégia se encontram para construir marcas pessoais autênticas, seguras e humanas
Algumas histórias não começam em salas de reunião nem em grandes palcos. Começam na mesa da cozinha, acompanhadas de pão de queijo, bolo de milho e café fresquinho.
Foi assim que me senti a cada encontro com a Vanessa. Houve choro, emoção, dúvidas e também a presença firme de uma mulher que sabe o que quer e, principalmente, o tamanho que tem.
Foram cerca de dez encontros de mentoria em marca pessoal. Em um deles, Vanessa veio a São Paulo e fiz questão de estarmos juntas para um café. Ganhei queijo de presente. Pode isso, uai? Pode. E eu amei.
Mais do que uma jornada de posicionamento, foi o acompanhamento de um desabrochar profissional. Ver Vanessa hoje, ocupando seu espaço com segurança, conhecimento e propósito, não tem preço.
É com essa história de troca, escuta e construção que começo esta entrevista — uma conversa sobre trabalho, responsabilidade, liderança e o lugar que o conhecimento ocupa quando encontra direção.
Vanessa, me conta:
Como se deu a sua aproximação com a área trabalhista e o que a levou a atuar especificamente com consultoria e auditoria?
Sempre tive afinidade com a área trabalhista e iniciei minha trajetória no Departamento Pessoal ainda muito jovem, aos 15 anos. Ao longo da minha carreira, percebi que grande parte das autuações em fiscalizações e das reclamações trabalhistas não ocorre por má-fé, mas sim por desconhecimento e falta de atualização.
A rotina intensa, com múltiplos processos acontecendo simultaneamente, muitas vezes dificulta que os profissionais consigam se manter atualizados frente às constantes mudanças na legislação.
Diante disso, encontrei meu propósito em atuar como parceira das empresas e dos profissionais de DP, ajudando-os a manterem-se informados, organizados e em conformidade com a legislação trabalhista, prevenindo riscos e fortalecendo uma gestão mais segura e estratégica.
Em que momento você percebeu que o conhecimento técnico precisava caminhar junto com orientação estratégica para empresários e líderes?
Percebi isso ao longo da prática profissional, especialmente quando comecei a lidar mais de perto com empresários e líderes. Notei que, mesmo quando as empresas estavam tecnicamente corretas, muitas decisões acabavam gerando riscos porque o conhecimento não era traduzido de forma estratégica para o negócio.
Foi nesse momento que entendi que o papel do profissional trabalhista vai além do cumprimento da legislação: é preciso orientar, antecipar cenários, explicar impactos e apoiar a liderança na tomada de decisões. Quando o conhecimento técnico caminha junto com a orientação estratégica, ele deixa de ser apenas operacional e passa a ser uma ferramenta real de gestão e prevenção.
Quais aprendizados da sua trajetória mais impactaram a forma como você atua hoje?
Nada substitui a prática. Atuei por muitos anos em diferentes posições dentro do Departamento Pessoal, o que me permitiu vivenciar, na prática, diversas situações desafiadoras. Em muitos desses momentos, senti na pele a necessidade de ter com quem contar — alguém que trouxesse segurança, clareza e direcionamento nas decisões.
Foi especialmente nos processos de auditoria que essa percepção se fortaleceu. Entendi que a atuação não deve ser apenas apontar o que está conforme ou não conforme, mas atuar como parceira do negócio: analisando riscos, orientando e, principalmente, pensando junto com a empresa em soluções e sugestões que realmente funcionem na prática.
Do ponto de vista prático, qual é o maior erro que as empresas cometem hoje na gestão trabalhista?
O maior erro é tratar a gestão trabalhista apenas como obrigação operacional e não como parte da estratégia do negócio. Muitas empresas focam em “apagar incêndios”, cumprir prazos e reduzir custos aparentes, mas deixam de investir em processos, orientação e prevenção. No longo prazo, isso gera passivos, insegurança jurídica e desgaste na relação com colaboradores e órgãos fiscalizadores.
O que uma auditoria trabalhista bem-feita revela além de números e documentos?
A auditoria bem-feita mostra a forma como a empresa se organiza, toma decisões e cuida das pessoas. Evidencia a maturidade da gestão, a coerência entre o que está no papel e o que acontece na prática, além do nível de consciência sobre riscos e responsabilidades.
Mais do que apontar falhas, a auditoria revela oportunidades de melhoria, fortalecimento de processos e construção de uma gestão mais segura, humana e sustentável.
É possível falar em liderança responsável sem domínio mínimo das obrigações trabalhistas?
Uma auditoria bem-feita revela a maturidade da gestão. Ela mostra como a empresa toma decisões, como se comunica internamente, se há coerência entre prática e discurso e onde estão os reais riscos do negócio. Mais do que apontar erros, a auditoria evidencia oportunidades de melhoria, ganho de eficiência e fortalecimento da governança trabalhista.
Você também atua como mentora. O que muda quando o empresário ou gestor passa a ser acompanhado, e não apenas orientado pontualmente?
Muda tudo. A orientação pontual resolve um problema específico; o acompanhamento transforma a forma de pensar e decidir. Na mentoria, o empresário passa a enxergar a gestão trabalhista de forma preventiva, estratégica e contínua. Ele ganha segurança, autonomia e passa a tomar decisões mais conscientes, alinhadas ao crescimento sustentável do negócio.
Em um mercado tão técnico, como você enxerga a construção de autoridade e posicionamento profissional?
A autoridade hoje não vem apenas do conhecimento técnico, mas da capacidade de traduzir esse conhecimento em soluções práticas. Posicionamento é consistência: entregar valor, comunicar com clareza, gerar confiança e mostrar, na prática, como o trabalho impacta o negócio do cliente. Quem consegue unir técnica, estratégia e comunicação constrói autoridade de forma sólida e duradoura.
Porque você buscou a minha mentoria de Marca Pessoal? O que foi importante pra você e que você traz consigo até hoje?
Busquei a mentoria porque percebi que não bastava ser boa tecnicamente era preciso saber comunicar quem eu sou, o que faço e o valor que entrego. Foi fundamental entender posicionamento, narrativa e clareza de propósito. Até hoje trago comigo a importância de alinhar essência, discurso e prática, e de ocupar o meu espaço profissional com segurança.
Me lembro que quando estávamos em processo, você trabalhava em uma Startup, como foi sua jornada e em que fase profissional você se encontra hoje?
A experiência na startup foi extremamente desafiadora e enriquecedora. Era um ambiente de ritmo acelerado, mudanças constantes e decisões rápidas, o que me fez amadurecer muito profissionalmente.
Hoje me encontro em uma fase de consolidação, com mais clareza do meu papel, do meu posicionamento e do impacto que quero gerar, atuando de forma mais estratégica e consultiva.
Quais temas trabalhistas você acredita que ganharão ainda mais relevância nos próximos anos?
Vejo um crescimento significativo da relevância dos temas ligados à saúde mental, riscos psicossociais, responsabilidade da liderança, uso de tecnologia e compliance trabalhista. Além disso, a integração entre dados, processos e estratégia será cada vez mais exigida, assim como a atuação preventiva frente às fiscalizações e passivos trabalhistas.
Que conselho você daria hoje para empresários que ainda negligenciam a gestão trabalhista?
Meu conselho é simples: não espere o problema chegar para agir. A gestão trabalhista não é custo, é investimento, proteção e estratégia. Investir em processos, orientação e prevenção hoje é o que garante segurança, crescimento e tranquilidade no futuro.
A gestão trabalhista evoluiu e ela não se restringe mais apenas ao cumprimento da lei. Hoje, ela envolve pessoas, processos e resultados. Quando bem conduzida, deixa de ser um ponto de risco e passa a ser um pilar de sustentabilidade e crescimento do negócio.
Se você pudesse deixar uma mensagem final sobre responsabilidade, gestão e trabalho, qual seria?
Responsabilidade na gestão é ter consciência de que cada decisão carrega impacto real na vida das pessoas e no futuro do negócio. Quando o trabalho é feito com propósito, planejamento e respeito à legislação, ele deixa de ser motivo de medo e passa a ser fonte de segurança, confiança e crescimento.
A gestão responsável não é sobre medo da fiscalização ou de processos trabalhistas; é sobre fazer o certo, do jeito certo, todos os dias.
A gestão trabalhista evoluiu. Ela já não se limita ao cumprimento da lei, mas atravessa pessoas, processos e resultados. Quando bem conduzida, deixa de ser um ponto de risco e passa a ser um pilar de sustentabilidade e crescimento do negócio.
Ao longo desta conversa, fica evidente que responsabilidade, liderança e trabalho caminham juntas quando há consciência, preparo e propósito. Não se trata de medo da fiscalização ou de processos, mas de fazer o certo, do jeito certo, todos os dias.
Vanessa representa uma nova geração de profissionais que unem técnica, estratégia e humanidade e que entendem que conhecimento só gera impacto quando é compartilhado com clareza e responsabilidade.
Vanessa, sempre aprendo com você. Obrigada pela confiança, pela generosidade desta entrevista e pela troca ao longo da nossa jornada.
Que possamos seguir torcendo, nem que seja de longe, uma pela outra. E por todas.