O governo Trump intensificou suas ações para a construção do muro na fronteira com o México, dando ultimatos a proprietários de terras no Texas. Moradores receberam notificações com prazo de cinco dias para decidir sobre a cessão de suas propriedades, sob ameaça de desapropriação.
Em Laredo, Texas, cidade com mais de 250 mil habitantes majoritariamente hispânicos, a comunidade que cresceu às margens do Rio Grande enfrenta a possível perda de suas propriedades. Em fevereiro, pelo menos 60 proprietários receberam cartas do governo federal intituladas “Aviso de interesse: Propriedade próxima à construção de projetos fronteiriços”.
Principais pontos do processo de desapropriação:
* O governo oferece três opções aos proprietários: receber mil dólares para permitir acesso à propriedade, negociar um contrato de compra ou servidão, ou enfrentar desapropriação forçada.
* A professora Nayda Álvarez, de 54 anos, moradora de La Rosita, recebeu notificação informando que o muro passaria por seu jardim, tendo que decidir entre as opções apresentadas.
* Antonio Rosales Jr., de 75 anos, foi informado que parte de sua casa seria demolida, com apenas cinco dias para assinar a documentação necessária.
O plano do governo Trump prevê a construção de um “muro inteligente” ao longo dos mais de 3 mil quilômetros de fronteira com o México. Um terço dessa extensão já possuía muros antes do atual mandato.
Em Eagle Pass, 180 km a noroeste de Laredo, o principal parque da cidade foi militarizado em janeiro de 2024. A instalação de boias e cercas com arame farpado bloqueou o acesso ao rio, afetando negócios locais como o de Jessie Fuentes, que oferece passeios de caiaque.
Édgar Villaseñor, ativista do Centro de Estudos Internacionais do Rio Grande, destaca que está ocorrendo uma “apropriação massiva de terras” em todo o sul do Texas, questionando a necessidade real do muro. Segundo ele, “a necessidade do muro é muito falsa. Quem diz isso são pessoas em Washington D.C. Quem vive ao longo do rio não teme nada”.
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, defende que no primeiro ano do governo Trump foi alcançada “a fronteira mais segura na história dos Estados Unidos”, com nove meses consecutivos sem liberação de “imigrantes ilegais” em seu território.