O presidente francês Emmanuel Macron visitará a base de submarinos nucleares Île Longue na próxima segunda-feira, 2, para atualizar o posicionamento da França sobre o uso potencial de seu arsenal nuclear. A visita ocorre em um momento de crescente preocupação na Europa sobre a confiabilidade das garantias nucleares americanas e a possível expansão da guerra russa além da Ucrânia.
Em meio a um cenário geopolítico cada vez mais instável, a França, como único membro da União Europeia com armas nucleares, enfrenta pressões crescentes de seus aliados europeus para oferecer garantias de proteção nuclear. O contexto é marcado por incertezas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a defesa do continente, especialmente diante da possibilidade de retorno de Donald Trump à presidência americana.
* A base de Île Longue, onde Macron fará seu pronunciamento, abriga os quatro submarinos nucleares franceses, cada um equipado com 16 mísseis balísticos intercontinentais M51 e múltiplas ogivas
* O arsenal nuclear francês atual mantém-se estável em menos de 300 ogivas, número estabelecido durante o governo de Nicolas Sarkozy em 2008
* Especialistas preveem possíveis alterações na política nuclear francesa, incluindo um maior compromisso com a proteção dos aliados europeus
* Rasmus Jarlov, presidente da Comissão de Defesa do parlamento dinamarquês, expressou dúvidas sobre a confiabilidade americana: “Se a situação ficasse realmente séria, duvido muito que Trump arriscaria cidades americanas para proteger cidades europeias”
* Alguns países europeus, como a Alemanha, já iniciaram discussões com a França sobre cooperação em matéria de defesa nuclear
* O chanceler alemão Friedrich Merz revelou conversas iniciais com Macron sobre a possibilidade de aviões alemães transportarem bombas nucleares francesas
O cenário internacional atual apresenta novos desafios, incluindo a expansão nuclear da China e Coreia do Norte, além das ameaças russas relacionadas ao conflito na Ucrânia. A Rússia revisou sua política de dissuasão em 2024, reduzindo o limite para possível retaliação nuclear, enquanto o Reino Unido anunciou planos para restaurar sua capacidade de ataques aéreos nucleares.
Héloïse Fayet, especialista em dissuasão nuclear do Instituto Francês de Relações Internacionais, destaca que “há grandes expectativas por parte dos aliados e parceiros, e talvez também dos adversários, sobre como a doutrina nuclear francesa poderá evoluir”.
O pronunciamento de Macron é considerado uma das decisões mais importantes dos últimos 14 meses de seu mandato, antes das eleições presidenciais de 2027.