Ele adquiriu imóvel de Alan Yang

Foto: Rafa Neddemeyer
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski se envolveu em uma controversa transação imobiliária ao adquirir, por R$ 9,4 milhões, uma residência pertencente a Alan de Souza Yang, conhecido como “China”, que é alvo de investigações da Polícia Federal por sonegação bilionária no setor de combustíveis.
A aquisição do imóvel, realizada através da empresa familiar Eryal Empreendimentos e Participações, ocorreu em março de 2024, apenas um mês após Lewandowski assumir o cargo de ministro da Justiça. O caso ganhou maior relevância quando, um mês após a venda, a residência foi bloqueada pela Justiça Federal de São Paulo.
Pontos principais da transação e suas implicações:
* A casa de 777 metros quadrados, localizada em um condomínio fechado na Zona Sul de São Paulo, foi inicialmente comprada em leilão pelo pai de “China” por R$ 4,9 milhões em 2019
* Em dezembro de 2023, o imóvel foi vendido por R$ 4 milhões para Anajá de Oliveira Santos Yang, esposa de “China”, que é investigada pela PF por suspeita de ser laranja em transações do marido
* A empresa de Lewandowski realizou a compra por R$ 9,4 milhões, com pagamento à vista através de transferência bancária para a conta de Anajá na Caixa Econômica Federal
Histórico dos vendedores:
* Alan de Souza Yang e sua esposa Anajá acumulam investigações por adulteração de combustíveis há pelo menos uma década
* “China” já foi condenado por adulteração de gasolina e é investigado por sonegação estimada em R$ 2 bilhões em distribuidoras de combustíveis
* Em 2025, ele se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, sendo apontado como um dos braços de um grupo empresarial com supostas ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC)
Em sua defesa, Lewandowski afirma que a compra foi realizada de boa-fé e que não conhecia os vendedores anteriormente. O ex-ministro argumenta que buscava um imóvel em condomínio fechado por questões de segurança e que todas as certidões necessárias foram apresentadas no momento da transação.
“O preço pago foi o valor de mercado”, declarou Lewandowski, explicando que o valor inferior das transações anteriores se deve ao fato de o imóvel ter sido vendido em leilão.
A situação atual do imóvel permanece sob análise judicial, com Lewandowski buscando a regularização da propriedade ou eventual ressarcimento do valor pago, uma vez que o bloqueio judicial impede que ele seja considerado efetivamente o proprietário da residência.