PF analisou dados do celular do empresário

Foto: Rosinei Coutinho/STF
A Polícia Federal (PF) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, um relatório contendo informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O documento, que inclui menções ao ministro Dias Toffoli, relator do processo relacionado à instituição financeira, gerou nova pressão interna na Corte.
O caso provocou apreensão nos bastidores do STF e reacendeu discussões sobre a permanência de Dias Toffoli como relator do processo. Ministros, em conversas reservadas, reconhecem que a situação intensifica o desgaste da Corte e aumenta os riscos políticos associados ao caso.
Embora o conteúdo específico do relatório entregue pela PF a Fachin na segunda-feira não tenha sido divulgado, o gabinete do ministro Dias Toffoli confirmou ter recebido um pedido de declaração de suspeição da Polícia Federal para seu afastamento do caso. Em nota oficial, o gabinete declarou: “O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.
A avaliação predominante entre os ministros é que qualquer decisão deve aguardar esclarecimentos formais, sendo necessário compreender o teor das menções ao ministro antes de qualquer conclusão. Existe um consenso de que uma reação precipitada poderia agravar a situação.
Por sua vez, a defesa de Daniel Vorcaro manifestou-se afirmando que “manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa”.