Presidente diz que ministro deveria renunciar

Foto: Rosinei Coutinho/STF
O presidente Lula (PT) tem manifestado crescente insatisfação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na relatoria do inquérito do Banco Master. A situação tem gerado tensão nos bastidores do poder em Brasília.
Em conversas reservadas com auxiliares próximos, o presidente tem feito críticas contundentes sobre a atuação do ministro, chegando a sugerir que Toffoli deveria considerar sua renúncia ou aposentadoria do cargo. O desgaste institucional causado ao STF e o sigilo imposto ao processo são pontos centrais da insatisfação presidencial. As informações são do colunista Lauro Jardim de O Globo.
O presidente demonstrou particular incômodo com notícias que expuseram vínculos entre familiares do ministro Toffoli e fundos relacionados ao Banco Master, além do receio de que a investigação possa ser comprometida.
Em dezembro, houve um encontro entre Lula e Toffoli no Palácio do Planalto, com a presença do ministro Fernando Haddad. Na ocasião, descrita como “amistosa”, o presidente ressaltou a importância de levar as investigações às últimas consequências.
* Toffoli está sob crescente pressão devido a sua conduta na supervisão do inquérito, incluindo críticas ao regime de sigilo, uma viagem de jatinho com um dos advogados do caso e negócios que relacionam seus familiares a um fundo de investimentos vinculado ao Master.
O caso envolve ramificações políticas significativas, com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mantendo conexões tanto com políticos do centrão quanto com aliados do governo PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco, possui proximidade com Rui Costa, ministro da Casa Civil, e com o senador Jaques Wagner.
Lula tem defendido junto a seus auxiliares a necessidade de demonstrar que o governo combate fraudes sem distinção, inclusive declarando publicamente: “Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
Vale ressaltar que Toffoli, indicado ao STF por Lula, já acumula outros momentos de tensão com o presidente, como quando impediu sua presença no velório do irmão Genival Inácio da Silva (Vavá) em 2019, episódio pelo qual posteriormente pediu desculpas.
O ministro tem indicado a interlocutores que não pretende se afastar do processo, argumentando que nem a viagem de jatinho com o advogado nem as relações comerciais de seus familiares comprometem sua imparcialidade. Historicamente, o STF só reconheceu impedimento ou suspeição de ministros em casos de autodeclaração.