Segundo revista há impacto na percepção do tribunal

Banco Master expõe crise de credibilidade no STF, diz The Economist
O caso do Banco Master, maior quebra bancária da história do Brasil em termos de impacto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ganhou destaque internacional através de uma análise crítica publicada pela revista britânica The Economist. A publicação enfatiza como o episódio expôs intrincadas relações entre o poder judiciário, políticos e o setor financeiro no Brasil.
A liquidação do Banco Master, ocorrida em 18 de novembro, junto com a prisão de seu CEO Daniel Vorcaro na operação Compliance Zero, desencadeou uma série de revelações que, segundo a Economist, “reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade”.
* O ministro do TCU, Jhonatan Jesus, ordenou uma inspeção no Banco Central relacionada à liquidação. A revista destaca que Jesus possui “ligações estreitas com o Centrão, um grupo de partidos ideologicamente fluidos que controlam o Congresso e têm um longo histórico de corrupção”
* Foram expostas doações do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, às campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas
* A tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília, apoiada pelo governador Ibaneis Rocha, também entrou no radar
* Revelações sobre contratos da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o banco e uma viagem compartilhada do ministro Dias Toffoli com um advogado da instituição levantaram questionamentos
* O caso afeta 1,6 milhão de investidores, com o banco detendo R$ 41 bilhões em CDBs
* A Polícia Federal investiga suspeitas de fraudes na concessão de créditos, emissão de títulos irregulares e criação de carteiras falsas
* Os executivos presos, incluindo Vorcaro, foram posteriormente liberados com uso de tornozeleira eletrônica e restrições
A revista destaca Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, como figura positiva por resistir às pressões para salvar o banco. Galípolo defende maior autonomia para a instituição, buscando fortalecer os poderes de supervisão sobre instituições financeiras.
A tentativa do ministro Edson Fachin de implementar um código de ética similar ao do Tribunal Constitucional alemão foi recebida com zombaria por seus colegas, segundo a publicação.