Ele precisa de 41 votos dos 81 senadores

Foto: Renato Menezes/Ascom AGU
Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), tem adotado uma estratégia de aproximação com senadores, expressando posições conservadoras sobre temas polêmicos e sinalizando apoio às emendas parlamentares. A movimentação ocorre em meio à necessidade de conquistar ao menos 41 votos no plenário do Senado para sua aprovação.
Em suas articulações com parlamentares, Messias tem demonstrado posicionamentos específicos sobre temas sensíveis:
* Durante encontros reservados com senadores, o indicado tem manifestado postura contrária à flexibilização das leis sobre aborto e uso de drogas, alinhando-se a setores mais conservadores do Congresso
* Sua identidade evangélica tem sido utilizada como ponte para conquistar simpatia de parte da oposição ao governo Lula
* Em conversas com congressistas, Messias tem sinalizado que não pretende “criminalizar a política”, sendo interpretado como um aceno favorável às emendas parlamentares
* O indicado tem se apresentado como “desenvolvimentista” em questões relacionadas a obras e exploração mineral em terras indígenas, embora ressalte a necessidade de consulta às populações indígenas
A sabatina de Messias, inicialmente prevista para 10 de dezembro, foi adiada após o Palácio do Planalto não enviar a documentação necessária. O senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, já indicou que o processo ficará para 2024.
O ambiente no Senado apresenta-se desafiador para Messias. A Casa estava inclinada à indicação do senador Rodrigo Pacheco, e a escolha por Messias gerou desgaste na relação entre o Executivo e o Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem demonstrado insatisfação com a situação.
Enquanto aguarda definições sobre a sabatina, Messias mantém sua agenda de articulações. Participou de um jantar com senadores evangélicos e ministros do STF, além de encontros com parlamentares como Beto Faro e Nelsinho Trad. Em reunião com a bancada feminina do Senado, comprometeu-se com o combate ao feminicídio.