Messias deve prestar esclarecimentos

CPMI do INSS ouve empresário investigado em fraudes; convocação de Messias será votada quinta
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS realizará nesta segunda-feira uma importante oitiva relacionada ao esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas. O empresário Sandro Temer de Oliveira, preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, e Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do instituto, prestarão depoimentos.
Oliveira está ligado a duas associações baseadas em Sergipe que, segundo investigações da PF, teriam participado de um esquema para distribuir dinheiro roubado através de empresas laranjas. As entidades em questão são a Universo Associação dos Aposentados e Pensionistas (AAPPS Universo) e a Associação de Proteção e Defesa dos Direitos dos Aposentados (APDAP Prev).
A última sessão da CPI, realizada na quinta-feira, foi marcada por tensões e discussões acaloradas entre parlamentares. O principal ponto de discórdia foi o adiamento da convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, que deveria prestar esclarecimentos sobre a atuação da AGU no caso dos descontos indevidos.
A situação se tornou ainda mais delicada devido ao momento político, já que Messias busca apoio no Senado para sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O mal-estar foi amplificado pela falta de comunicação prévia com importantes figuras do Senado, como o presidente Davi Alcolumbre, que tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco para a vaga.
Entre os requerimentos analisados, destaca-se o do deputado Evair de Melo (PP-ES), que aponta “contradições e omissões” na atuação da AGU. O documento menciona alertas internos feitos em 2024 sobre nove entidades com aumento expressivo de reclamações judiciais envolvendo descontos não autorizados.
A convocação de Messias será votada na quinta-feira, na última sessão do ano da CPI. O cenário evidencia uma clara disputa política entre governo e oposição, com a base governista alegando tentativas de desgaste ao Planalto, enquanto a oposição defende a necessidade de esclarecimentos sobre as medidas tomadas após a identificação das suspeitas.