Governo não estabelece prazo para o debate

Haddad diz que existe “uma simpatia” do governo por debate sobre jornada de trabalho
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou existir “uma simpatia” dentro do governo federal para debater possíveis mudanças na jornada de trabalho brasileira. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Estúdio i, onde o ministro abordou diversos aspectos relacionados ao tema.
Durante a entrevista, Haddad esclareceu que ainda “não há uma definição” oficial sobre a possibilidade do tema ser incorporado como bandeira de campanha nas eleições presidenciais de 2026. Quando questionado sobre a possibilidade do governo Lula adotar a pauta da jornada de trabalho, incluindo discussões como o fim da escala 6×1, o ministro considerou o debate inevitável.
“Eu não consigo prever nesse momento qual vai ser a decisão dos candidatos de 2026 de incorporarem a sua agenda . Mas eu acredito sim que esse é um tema que vai ser debatido ano que vem”, afirmou Haddad durante a conversa.
O ministro contextualizou o debate em uma perspectiva global, destacando que a discussão sobre jornada de trabalho não é uma exclusividade brasileira, mas sim uma tendência mundial impulsionada por transformações tecnológicas. “Automação, robotização, inteligência artificial, tudo isso está colocando na ordem do dia a questão do bem-estar”, analisou.
Haddad enfatizou que o princípio norteador dessa discussão deve ser humanista, declarando que “a economia deveria servir as pessoas e não se servir das pessoas”. No entanto, apesar da receptividade ao debate sobre redução da jornada, o ministro alertou sobre movimentos contrários no cenário internacional, citando especificamente o caso argentino: “Eu vi relatos de que há propostas, por exemplo, do governo da Argentina de aumentar a jornada de trabalho, se eu não estou enganado, para 60 horas semanais”.