No caso do Senado, problema foi escolha do STF

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
O governo Lula enfrenta uma grave crise política após o rompimento público dos presidentes do Senado e da Câmara com importantes articuladores do Executivo no Congresso Nacional. A situação compromete a aprovação de projetos prioritários como o Antifacção e a tributação de bets e fintechs, considerados fundamentais para o equilíbrio das contas públicas.
No Senado Federal, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) oficializou seu afastamento do líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), após a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ruptura não está diretamente ligada ao nome escolhido, mas à condução do processo, que desagradou senadores que apoiavam a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
* Alcolumbre considera a situação um “ponto de virada” em sua relação com o Planalto, declarando que existe “um Davi antes e um Davi depois” da escolha de Messias
* O presidente do Senado afirma que o rompimento com Jaques Wagner é “definitivo, pessoal e institucional”
* A decisão de não apoiar a indicação de Messias inclui a recusa em fazer articulações em seu favor
* Aliados indicam que Alcolumbre não atuará mais como fiador político no Senado
* O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) anunciou rompimento com o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-SP)
* A relação já estava desgastada após episódios como a entrega da relatoria do PL Antifacção à oposição
* Motta critica a atuação “errática” do líder petista e sua incapacidade de entregar votações prometidas
O momento é especialmente delicado para o governo, que ainda precisa aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e negociar outros projetos de impacto fiscal e político. Com o distanciamento de Alcolumbre e Motta, a articulação governamental passa a depender mais diretamente de ministros políticos e do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).