Bia Ferraz: ”Entrevista com a Dra. Dorli Kamkhagi – Psicanalista e PhD em Longevidade, e que aos 70 anos decidiu passar por um processo de Marca Pessoal”

Bia Ferraz: ”Entrevista com a Dra. Dorli Kamkhagi – Psicanalista e PhD em Longevidade, e que aos 70 anos decidiu passar por um processo de Marca Pessoal”

Mais do que uma atualização de imagem, a Marca Pessoal foi um profundo processo de resgate e ressignificação

Preciso sempre comentar que é um grande marco na minha carreira quando alguém decide vir trabalhar comigo na Mentoria de Marca Pessoal, ainda mais pessoas com a grandeza de vida e carreira que tenho tido a honra de acompanhar.

Bom… para além do design, nós trabalhamos nos objetivos da marca, definimos o que é possível colocar em prática sem excessos, mapeamos estratégias — muitas delas já colocadas em ação durante o processo. Ajustamos canais, definimos textos para apresentações, redes sociais, documentos internos e materiais impressos… que ficaram lindos!

É um trabalho 360º, que faz olhar para dentro e para fora, desenvolve visão de marca e negócio, sempre com respeito por quem estou acompanhando.

Obrigada por me permitir fazer parte, @kamkhagidorli.

É sempre uma honra aprender com você e agora eu quero te ouvir.


Antes de começarmos a falar sobre construção de marca pessoal, quero te perguntar: quem é Dorli Kamkhagi e de onde ela vem?

Dorli: Falar quem sou é difícil.
Sou uma mulher de 71 anos, vinda de uma família que chegou ao Brasil depois do Holocausto. Hoje, me vejo como alguém que precisou fazer muitas ressignificações ao longo da vida.

Na minha história pessoal, fui juntando meus pedaços — sou um pouco da Malka, minha mãe; do Daniel, meu amado pai; e dos meus antepassados, que honro profundamente.
Depois, vieram meus três filhos — Rafael, David e Débora — que me ensinaram o que é ser mãe e me ajudaram muito nesse caminho e no meu desenvolvimento como ser humano. E, mais que tudo, meu querido marido, Solly.

Depois, vieram meus cinco netos — Roger, Maia, Sollynho, Sophie e Natalie Dorli — que me trouxeram uma sensação de historicidade, algo que sempre busquei.
Pensar que a vida dos meus pais — e, portanto, a minha também — foi marcada pela imigração após o Holocausto sempre me trouxe uma sensação de não ter um lugar interno, um enraizamento. Isso foi muito difícil para mim.

Mas encontrei aqui, no Brasil, um país que nos acolheu depois da Segunda Guerra. Nós, judeus errantes, encontramos uma pátria — mesmo que Israel sempre tenha sido a grande referência de fé, identidade e pertencimento.
Ainda assim, a família é o meu verdadeiro lugar, o espaço onde pertenço e me reconheço.

Sou Dorli Kamkhagi, nascida Dorli Pracownik, e é essa trajetória — que vem dos meus pais, avós e bisavós, honrando todas as minhas matriarcas — que me dá o sentido de ter um lugar no mundo, de onde posso viver plenamente, mesmo sabendo que já perdi muitos ao longo do caminho.


O que você faz na vida das pessoas que atende?

Atuo como psicóloga psicanalista, e meu trabalho de costurar, suturar e ouvir permite que as pessoas se vejam de outros lugares, lançando uma nova luz sobre quem são e os caminhos que podem escolher.
Minha participação é acompanhar suas trajetórias, ajudando em processos de luto, casamentos, separações, enamoramentos, reposicionamentos e, sobretudo, na descoberta de quem realmente são.

Acredito que o processo analítico é, acima de tudo, um processo de reconhecimento — das fragilidades, das impossibilidades, mas também daquilo que somos e do que podemos desejar.


Quais temas você atua?

Nesse trabalho, abordamos tudo — desde a família, passando pelos pais, irmãos, filhos, amigos, até as relações de trabalho, dificuldades, perdas, lutos, corpo em transformação, perdas de cônjuges, perda de um lugar de pertencimento ou de trabalho, e o envelhecer.

Os sujeitos que nos procuram chegam com inúmeras questões, mas talvez a mais importante seja começar a enxergar quem acreditamos ser, quem gostaríamos de ser e quem percebemos que não somos.
E é justamente através dessas impossibilidades que percebemos que existem muitas outras possibilidades, saindo da idealização do “eu” e passando a vislumbrar quem realmente podemos ser.

Além da clínica, realizo palestras e workshops sobre envelhecimento, longevidade, sexualidade e memórias — temas fundamentais para compreender nossa trajetória e a beleza dos ciclos da vida.


Com uma carreira sólida de mais de 40 anos, Mestrado e PhD, o que te motivou a passar por um processo de Marca Pessoal?

É verdade que, após tantos anos de formação, senti que era essencial organizar minha história de trabalho e minha história de vida de forma mais precisa.
A marca pessoal é um trabalho lindo, quase artístico e poético, porque atravessa toda a minha trajetória — quem fui, quem sou e quem não quero mais ser.
É, de certa forma, um processo terapêutico.

E essa criação só foi possível porque existiu uma pessoa como você, Bia.
Estar com você é mágico. Você tem o dom da escuta, o dom da transformação, é maravilhosa e generosa, e consegue descobrir o que cada um tem de melhor.


Que histórias você decidiu contar sobre você?

No nosso trabalho, você foi costurando devagarinho o que havia de mais importante em mim — o que poderia ser abrilhantrado, o que já não fazia sentido.
Revisei meu álbum de memórias, com lembranças do passado e do presente, fazendo um trabalho de “bric-à-brac” entre o aqui e agora e tudo que ficou guardado na memória.
Seu olhar mágico e seu talento ajudaram a revelar minhas habilidades, mas também me deram posicionamento, tirando-me do lugar de ser “boazinha demais” e achando que podia tudo.

A marca pessoal me mostrou que tenho preço, valor e lugar, e que tudo isso é fruto de muito esforço e dedicação.
Percebi que meu tesouro é toda a minha trajetória de vida — um resgate que permitiu valorizar tudo que construí.
Ainda há muito a ser compartilhado: trabalhos em Israel, grupos terapêuticos de senhoras, homens acima de 50 anos, gays, cuidadoras de familiares com Alzheimer.
Cada projeto ajuda pessoas a enxergarem seu valor, sua capacidade e potência, e me faz perceber o quanto eu posso.


Como você imaginou que seria o processo de Marca Pessoal e como foi na prática?

Não fazia ideia de como seria.
Imaginava algo árduo — e foi. Mas também delicado, profundo e interessante.
Eu ficava ansiosa, me preparando, refletindo sobre cada encontro e o que poderia surgir.
E surgiram coisas incríveis: escolher minha marca, minhas cores, descobrir que a mulher que eu queria ser já era eu mesma, apenas mais transformada e aprimorada.
Esse trabalho continua reverberando, me atravessando e me fortalecendo.


O que você acredita que foi mais importante durante o processo?

Compreender o que já não me serve, quem não sou mais e como quero ser daqui para frente.
Aprendi a me posicionar, falar com firmeza e cobrar pelo meu trabalho — algo que sempre foi difícil para mim.
Entendi que meu trabalho tem valor e precisa ser reconhecido.
E o mais bonito é que nosso encontro continua, sempre buscando o que há de mais importante e bonito em cada pessoa.


Teve aprendizados? Quais? E o que foi de mais impacto para você?

Aprendi a compreender tempo e lugar, a mostrar o essencial, a estar com meus pacientes mantendo espontaneidade, presença e escuta.
Aprendi sobre posicionamento, sobre como minha marca se manifesta em diferentes contextos, como falar de mim mesma e vender meu trabalho com verdade e autenticidade.
Esse tempo tem sido de troca, criação, elaboração e repensar, porque ainda há muito por fazer, e o mais bonito é pensar em como colocar tudo isso no mundo com sentido e verdade.


O que, Bia, transformou em você e no seu negócio?

Estar com você é transformador.
Você chega com força, identidade e energia, escuta, acolhe e transforma.
Cada encontro era marcado por orientação e cuidado, mostrando o que eu podia expressar de forma nova e autêntica.
Você me fez perceber que tenho preço, valor, significado e tempo.
Que é um privilégio as pessoas me escolherem, assim como é um privilégio estar com você.
Aprendi muito. Tem sido um processo rico, forte e mágico, com acerto, confiança, respeito e generosidade.
Gratidão.

Dorli, eu é que agradeço por tanta generosidade.
É difícil colocar em palavras a admiração que sinto por você — pela sua história, pela sua entrega e pela forma linda com que você se reconstrói e inspira.

Para quem quiser ver o resultado visual desse processo tão especial, é só clicar no link.

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Bia Ferraz
Mentora e Estrategista de Marca Pessoal e Negócios | Branding, Comunicação e Design | Há + de 30 anos organizando e desenvolvendo pessoas e negócios | Palestras e Workshop

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Bia Ferraz
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