O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior foi indiciado pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrida após uma discussão no trânsito em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil, o acusado demonstrava “fascínio” por armas e pelo cargo de sua esposa, a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira.
De acordo com as investigações do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o crime aconteceu em 11 de agosto no bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. Os principais pontos do inquérito policial revelam:
* O empresário foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça, podendo enfrentar pena de até 35 anos de prisão
* Análises dos celulares do casal mostraram imagens de Renê exibindo e disparando armas, além de compartilhar conteúdos relacionados com pessoas próximas
* A delegada Ana Paula também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo, por emprestar suas armas ao marido, com pena prevista de dois a quatro anos, podendo aumentar em 50% por ser servidora pública
“Foi amplamente apurado nas investigações que ele tinha um fascínio pelo poder que o armamento o concedia. Então, acreditamos que, na situação em que ele disparou contra o Laudemir, ele estava demonstrando um poder, porque ele julgou que a pressa que ele tinha era mais importante do que o trabalho dos garis na coleta de resíduos”, afirmou o delegado Evandro Radaelli.
O crime ocorreu quando Renê se irritou com um caminhão de coleta de lixo que bloqueava a rua. Após ameaçar a motorista do veículo, ele atirou contra Laudemir Fernandes, de 44 anos, quando os garis tentaram intervir na situação. A vítima não resistiu aos ferimentos.
A filha de Laudemir, uma adolescente de 15 anos, entrou com ação judicial solicitando indenização de R$ 500 mil por danos morais, pensão alimentícia e custeio de tratamento psicológico. A defesa também pediu o bloqueio de até R$ 3 milhões em bens do empresário e da delegada.