O Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, enfrenta um desafio significativo após os Estados Unidos imporem uma tarifa de 50% sobre o produto brasileiro. A medida, que entrou em vigor em 6 de agosto, afeta diretamente 8,1 milhões de sacas de café que eram tradicionalmente exportadas para o mercado americano.
A decisão do presidente Donald Trump de aplicar tarifas ao café brasileiro, assim como à carne, surgiu como represália ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe de Estado. Alguns produtos, como suco de laranja e aeronaves, foram isentos desta medida.
Pontos principais da situação:
* Os Estados Unidos são os maiores consumidores mundiais de café, com aproximadamente um terço de suas importações vindas do Brasil, principalmente da variedade arábica.
* O mercado americano representa 16,1% das exportações brasileiras de café, totalizando 8,1 milhões de sacas de 60 kg no ano anterior, conforme dados do Cecafé.
* Desde o anúncio das tarifas, não houve novos contratos com os EUA, e importadores já existentes solicitaram adiamento nas entregas, esperando uma possível resolução da crise.
* A ApexBrasil iniciou um programa de diversificação de mercados, identificando Alemanha, Itália, Japão e China como potenciais compradores do café verde brasileiro.
* A China anunciou a abertura de seu mercado para cerca de 200 empresas exportadoras brasileiras no início de agosto.
O impacto das tarifas já é sentido pelo setor. “Meu maior medo é perder os meus clientes que são de muitos anos. Um relacionamento (…) que demorou muito tempo para ser construído”, afirma Raquel Meirelles, proprietária de fazendas de café em Minas Gerais.
O ministro Paulo Teixeira mantém otimismo quanto a uma possível isenção: “Acreditamos que eles vão, em algum momento, excepcionar o café”. Enquanto isso, Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, destaca que “os EUA terão dificuldade para encontrar novos fornecedores em um volume tão grande”.