Belo Horizonte amplia programas de segurança alimentar

Belo Horizonte amplia programas de segurança alimentar

Prefeitura planeja expandir sacolões do Abastecer e cozinhas comunitárias para combater insegurança alimentar após alta de 68% nos preços

A Prefeitura de Belo Horizonte está intensificando seus esforços para garantir acesso à alimentação de qualidade para famílias vulneráveis, em resposta ao aumento de 68% no preço dos alimentos nos últimos cinco anos. A administração municipal planeja fortalecer programas existentes e implementar novas iniciativas através da recém-elevada Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

A secretária Darklane Rodrigues Dias destaca que a elevação do órgão ao status de secretaria permitirá “melhores condições para que nossos processos avancem com mais agilidade e ampliar o orçamento”. Esta mudança visa fortalecer a articulação com outras áreas como saúde, assistência social e educação.

Principais iniciativas em expansão:

* O programa Cozinha Comunitária, que atualmente fornece 82 mil refeições anuais no Cabana do Pai Tomás, será expandido para todas as nove regionais da cidade. A expectativa é alcançar mais de 700 mil refeições por ano, com cada unidade fornecendo entre 300 e 500 refeições diárias.

* O programa Abastecer, que mantém 12 unidades ativas, continuará oferecendo 16 tipos de alimentos a preços tabelados em R$ 2,59 por quilo ou unidade. A prefeitura, em parceria com a UFMG, está estudando novos locais para expansão.

* O Cesta nas Férias, voltado para famílias com crianças matriculadas na rede municipal e inscritas no CadÚnico, será mantido e ampliado para garantir segurança alimentar durante as férias escolares.

Dados da Fundação Ipead mostram que entre abril de 2020 e março de 2025, os alimentos in natura registraram alta de 75,52%, enquanto produtos industrializados subiram 67,72%. O economista Diogo Santos ressalta que o poder de compra das famílias foi reduzido, já que o salário mínimo teve correção de apenas 45,26% no período.

A secretária Darklane enfatiza que nas famílias de baixa renda, “quando o alimento sobe de preço, a família precisa cortar em outros itens essenciais para manter o mínimo de dignidade à mesa”, destacando que entre 50% e 70% do orçamento dessas famílias é destinado à alimentação.

Os programas visam não apenas fornecer alimentos, mas também promover educação alimentar e nutricional, estabelecendo espaços de cuidado e cidadania para a população em situação de vulnerabilidade social de Belo Horizonte.

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