O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou apoio à possível classificação do Primeiro Comando Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Durante entrevista na quarta-feira, após agenda no Centro Operacional do Metrô de São Paulo, o governador classificou a iniciativa como uma “oportunidade”.
“Enxergo isso como uma oportunidade, porque, a partir do momento em que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é, de fato, o que eles são, fica mais fácil. Fica aberto o caminho da cooperação para que a gente possa integrar inteligência, trazer recursos financeiros e fazer um combate ainda mais efetivo”, declarou Tarcísio.
O Departamento de Estado dos EUA emitiu nota afirmando que considera as organizações criminosas brasileiras como “ameaças significativas à segurança regional” devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
A possível classificação tem gerado debates entre especialistas e autoridades. Formuladores da política externa brasileira alertam que tal denominação poderia servir como justificativa para interferência militar direta no país, comprometendo a soberania nacional. O governo brasileiro defende o aprofundamento da cooperação bilateral em segurança, mantendo a preservação da soberania nacional.
O professor de Direito Penal Thiago Bottino, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), argumenta que equiparar facções a grupos terroristas é inadequado: “A organização criminosa não tem o traço de contestação política que o terrorismo tem. Grupos terroristas trabalham para inviabilizar o funcionamento do Estado. As organizações criminosas são o contrário, dependem que tudo continue como está para continuar a cometer crimes”.
Para Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, a iniciativa do governo americano segue uma tendência de política intervencionista nas Américas, similar ao que já foi aplicado no México e na Venezuela.
O tema ganhou dimensão política, com membros da oposição criticando o posicionamento do governo Lula em relação ao assunto. Em novembro, Tarcísio já havia se manifestado favorável à classificação do PCC como organização terrorista.