Nova pesquisa Datafolha revela que a preocupação dos brasileiros com a corrupção permanece estável, mesmo após a revelação dos casos do Banco Master e dos descontos irregulares no INSS. O levantamento, realizado a sete meses das eleições, mostra que apenas 9% dos entrevistados consideram a corrupção como principal problema do país.
De acordo com a pesquisa, que ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil, a saúde lidera o ranking com 21% das menções, seguida pela segurança com 19%. A corrupção aparece em quarto lugar, atrás da economia (11%) e empatada com educação (9%).
* Em setembro de 2023, a corrupção era apontada por 6% dos entrevistados como principal problema do Brasil
* Durante o primeiro governo Dilma Rousseff, o índice oscilou entre 3% e 14%
* No segundo mandato de Dilma, em meio à Lava Jato, a corrupção chegou a ser o problema mais citado, atingindo 37%
* No governo Temer, houve queda gradual, indo de 32% em 2016 para 20% em 2018
* Na gestão Bolsonaro, o número se estabilizou em um dígito, variando entre 3% e 9%
A pesquisa foi realizada antes das repercussões sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Luciana Chong, diretora-geral do Datafolha, destaca que a saúde tradicionalmente lidera entre as preocupações dos brasileiros, com a segurança ganhando força mais recentemente no governo Lula. A análise por perfil mostra que a preocupação com corrupção é menor entre eleitores que ganham até dois salários mínimos (6%) e entre eleitores declarados de Lula (4%), enquanto atinge 14% entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro.
Especialistas apontam diferentes fatores para explicar os números. Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, ressalta que em perguntas espontâneas os entrevistados tendem a citar o que está mais presente em suas mentes. Já Marco Antônio Teixeira, professor da FGV, sugere que a ausência de um grupo político específico implicado nos casos recentes pode influenciar a percepção, embora ressalte que em ano eleitoral o impacto pode ser amplificado.
O caso do Banco Master, com fraude estimada em R$ 12 bilhões, e os desvios de R$ 6,3 bilhões no INSS podem afetar tanto a direita quanto a esquerda no cenário político. As investigações seguem em andamento, com desdobramentos que podem impactar as estratégias dos principais pré-candidatos ao Planalto nas próximas eleições.