Delegações do Irã e dos Estados Unidos iniciaram nesta quinta-feira uma terceira rodada de negociações em Genebra, buscando superar o atual cenário descrito por Teerã como “nem guerra, nem paz”. O encontro ocorre em um momento de elevada tensão entre as duas nações, com ambas mantendo postura de abertura ao diálogo, mas também preparadas para possível confronto militar.
As delegações se reuniram na residência do embaixador de Omã, país que atua como mediador nas negociações. O encontro começou antes das 10h00 horário local, com representantes de ambos os países demonstrando disposição para o diálogo, apesar das divergências significativas.
* O programa nuclear iraniano permanece como principal ponto de discórdia. Washington busca garantias de que Teerã não desenvolverá armas atômicas, enquanto o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reafirma: “Nosso líder supremo já declarou que não teremos armas nucleares de forma alguma”.
* O programa balístico do Irã emerge como outro tema controverso. Trump alerta sobre mísseis iranianos que “podem ameaçar a Europa e nossas bases”, embora Teerã mantenha que limitou o alcance de seus mísseis a 2.000 km.
* As sanções econômicas contra o Irã são parte crucial das discussões, com Teerã pressionando pelo seu fim e defendendo seu direito ao “uso pacífico da energia nuclear”.
O presidente americano Donald Trump enviou significativo dispositivo militar à região do Golfo, mesmo afirmando priorizar a via diplomática. O cenário é agravado por acusações mútuas, com Trump apontando “ambições nucleares” iranianas, enquanto Teerã classifica tais alegações como “grandes mentiras”.
As negociações são lideradas pelo enviado americano Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, do lado americano, e por Abbas Araghchi pela delegação iraniana. Araghchi considera este momento uma “oportunidade histórica”, embora ressalte que o sucesso depende “da seriedade da outra parte”.
O contexto atual é marcado por eventos recentes que elevaram as tensões, incluindo um conflito em junho que resultou em bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas, além da repressão iraniana a protestos internos em janeiro, que provocou ameaças de intervenção por parte de Trump.
Analistas como Emile Hokayem, do International Institute for Strategic Studies, alertam para o risco crescente de conflito, observando que “a região parece esperar uma guerra neste momento”. Diversos países do Oriente Médio têm atuado diplomaticamente para evitar uma escalada militar, temendo que um eventual conflito supere em proporções os enfrentamentos anteriores.