Milei enfrenta greve geral contra reforma trabalhista

Milei enfrenta greve geral contra reforma trabalhista

Quarta greve geral na Argentina ocorre durante debate da reforma trabalhista na Câmara dos Deputados, com forte adesão dos sindicatos

A Argentina enfrenta nesta quinta-feira sua quarta greve geral, coincidindo com o debate na Câmara dos Deputados sobre a polêmica reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, já aprovada pelo Senado na semana anterior. A paralisação, convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), ocorre em um momento crítico para a economia argentina.

O cenário econômico atual apresenta dados preocupantes, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e aproximadamente 300 mil postos de trabalho perdidos, segundo informações sindicais. Um exemplo recente dessa situação é o fechamento da Fate, principal fábrica de pneus do país, que anunciou a demissão de mais de 900 funcionários.

Principais pontos da paralisação:

* A greve conta com ampla adesão dos sindicatos de transporte, resultando no cancelamento de 255 voos e afetando 31 mil passageiros da Aerolíneas Argentinas
* Trabalhadores portuários aderiram ao movimento, paralisando importantes terminais como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo
* O metrô e o Premetro anunciaram paralisação total durante 24 horas
* O impacto da greve se estende ao Brasil, com cancelamentos de voos nos principais aeroportos, incluindo Guarulhos

A reforma trabalhista em debate:

* O projeto propõe redução de indenizações e permite pagamentos em bens ou serviços
* Prevê extensão da jornada de trabalho para 12 horas
* Inclui limitações ao direito de greve
* O governo removeu do texto o artigo que reduzia o salário durante licenças médicas para viabilizar a discussão

“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, declarou Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da CGT, antecipando uma manifestação “contundente”.

O governo Milei defende que as mudanças propostas ajudarão a reduzir a informalidade, que atualmente afeta mais de 40% do mercado de trabalho argentino, além de criar novos empregos através da diminuição da carga tributária para empregadores.

A paralisação representa um importante desafio para o governo Milei, evidenciando a forte resistência dos setores trabalhistas às reformas propostas, em um contexto de crescente tensão social e econômica na Argentina.

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