Galípolo debate necessidade de juros altos no Brasil

Galípolo debate necessidade de juros altos no Brasil

Presidente do Banco Central questiona por que o país precisa manter taxas elevadas para atingir meta de inflação de 3%, alinhada com outros países

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordou questões cruciais sobre a política monetária brasileira durante a CEO Conference Brasil 2026, organizada pelo BTG Pactual em São Paulo. O ponto central de sua apresentação foi o questionamento sobre a necessidade de o Brasil manter taxas de juros elevadas para alcançar sua meta de inflação.

Galípolo enfatizou que a meta de inflação de 3% está alinhada com outros países, mas levantou um debate importante sobre o custo dessa política. “O que eu acho que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas, para, com muito esforço, conseguir fazer uma convergência maior para a meta”, destacou.

Mercado de Trabalho e Produtividade

Em sua análise sobre o mercado de trabalho, o presidente do BC apontou que, mesmo com sinais divergentes recentes, o cenário permanece apertado, com níveis de desemprego historicamente baixos. Ele observou que os reajustes salariais continuam superando a inflação e a produtividade, destacando isso como um tema que merece atenção especial.

“Como é que conseguimos colaborar para um ambiente mais amigável, mais convidativo, para que o investimento privado possa ocorrer e para que esse investimento privado consiga produzir de maneira mais sustentável ganhos de produtividade?”, questionou Galípolo, enfatizando a necessidade de um processo contínuo de desenvolvimento.

Gestão e Indicações

Durante o evento, Galípolo também revelou que “estabilidade” será a palavra-chave de sua gestão no BC, após um período de avanços na agenda de competição, inclusão financeira e tecnologia. “É normal que existam movimentos pendulares, e esses movimentos pendulares não são negações aos movimentos anteriores, eles são complementações aos movimentos anteriores”, explicou.

Quanto às indicações para a diretoria do BC, Galípolo manteve discrição sobre os nomes sugeridos pelo ministro Fernando Haddad, ressaltando que a escolha é prerrogativa exclusiva do presidente da República. Ele mencionou sua relação próxima com Guilherme Mello, um dos indicados, e reconheceu a excelência profissional de Tiago Cavalcanti, embora não o conheça pessoalmente.

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