Um relatório fundamentado em dados da PNAD Contínua do IBGE revela que 31,3 milhões de empregos podem ser impactados pela Inteligência Artificial no Brasil até 2026. Este número alarmante reflete a rápida transformação do mercado de trabalho brasileiro frente às novas tecnologias.
Segundo a Agência de Notícias do IBGE, a adoção da Inteligência Artificial por empresas brasileiras apresentou um crescimento expressivo entre 2022 e 2024. O setor industrial, em particular, registrou um aumento significativo no uso desta tecnologia, com o percentual saltando de 16,9% para 41,9%.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresenta dados ainda mais alarmantes, indicando que aproximadamente 40% dos empregos brasileiros podem ser afetados pela IA generativa, com um impacto mais acentuado sobre o emprego feminino. A lógica empresarial por trás dessa transformação é clara: a substituição tende a ocorrer quando algoritmos realizam tarefas com maior eficiência e menor custo.
Um exemplo concreto dessa transformação já está em curso na cidade de São Paulo, como ilustra o relato de um morador: “Estava de boa em casa quando vi alguém mexendo no [meu] registro da água. Fui lá fora e questionei: “O que você está fazendo? Vai cortar?” Ele [funcionário da Sabesp] respondeu: “Não, estou trocando o relógio.” Começamos a conversar e soube que estão colocando relógio com chip da Vivo e que agora não precisa mais de leiturista, porque a leitura vai ser remota, via internet. Muitas pessoas vão ser demitidas e o pior é que elas nem têm ideia.”
A implementação de hidrômetros inteligentes com tecnologia IoT (Internet das Coisas) em São Paulo e São José dos Campos exemplifica como funções manuais e repetitivas estão sendo eliminadas, enquanto surge demanda por profissionais qualificados em áreas digitais e gestão de dados.
Enquanto países desenvolvidos concentram seus esforços em debates sobre produtividade, competitividade e requalificação profissional, o Brasil parece seguir direção oposta, focando principalmente em discussões sobre redução da jornada de trabalho, sem abordar adequadamente a questão da qualificação dos trabalhadores.
O cenário atual representa a maior transformação produtiva desde a Revolução Industrial, com foco em eficiência e redução de custos. Esta realidade levanta questionamentos sobre o futuro do mercado de trabalho brasileiro, especialmente considerando o aumento dos custos empresariais e as propostas de redução da jornada de trabalho.