O presidente da França, Emmanuel Macron, fez duras críticas ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como “ruim, antigo e mal negociado”. Em entrevista a jornais europeus, Macron também alertou sobre a persistência de ameaças comerciais dos Estados Unidos, apesar da aparente redução das tensões tarifárias recentes.
Macron criticou a reação dos líderes europeus, caracterizando-a como um “alívio covarde” após o período crítico das tarifas impostas durante a administração Trump. O presidente francês enfatizou que a aparente trégua é ilusória, prevendo novas ameaças em setores estratégicos, incluindo produtos farmacêuticos.
Em relação ao acordo com o Mercosul, o líder francês defendeu a necessidade de negociações mais equilibradas, destacando a importância de incluir proteções ambientais e econômicas. “Defendo acordos justos, que respeitem o clima e, ao mesmo tempo, garantam aquilo que queremos para nossa economia”, afirmou, reiterando sua oposição ao texto atual.
O presidente francês alertou sobre os riscos de uma postura conciliadora frente a pressões externas, argumentando que tentativas de acomodação apenas aumentam a vulnerabilidade estratégica da Europa. “Quando há uma agressão manifesta, não devemos nos dobrar nem tentar chegar a um acordo. Testamos essa estratégia durante meses e ela não funciona”, declarou.
Durante uma semana de reuniões sobre competitividade e política industrial europeia, Macron propôs diversas medidas:
* Simplificação das regras comerciais e fortalecimento do mercado interno da UE
* Diversificação de parceiros comerciais para reduzir dependências
* Implementação de uma “preferência europeia” em setores estratégicos
* Proteção da indústria em áreas como tecnologias limpas, química, aço, automóveis e defesa
Sobre as relações com a Rússia, Macron defendeu que qualquer retomada de diálogo com Vladimir Putin deve ser coordenada entre os países europeus e com interlocutores limitados. Ele observou que contatos técnicos recentes indicaram que Moscou “não quer a paz agora”, embora tenham possibilitado o restabelecimento de canais básicos de comunicação.