O Washington Post, tradicional jornal americano de propriedade do bilionário Jeff Bezos, anunciou nesta quarta-feira (4) uma série de demissões em massa e o encerramento de importantes editorias, como parte de uma ampla reestruturação financeira da empresa.
O veículo, que atualmente conta com aproximadamente 800 funcionários, planeja demitir cerca de um terço de sua equipe, segundo informações do Financial Times. A decisão vem acompanhada do fim das coberturas esportivas, locais e internacionais.
* O editor-executivo Matt Murray comunicou que todas as editorias serão afetadas de alguma forma, com o jornal passando a priorizar publicações focadas em política e cobertura nacional.
* Alguns repórteres da editoria de esportes serão realocados para o departamento de variedades, onde continuarão cobrindo a cultura esportiva.
* O departamento comercial também sofrerá cortes significativos como parte da reestruturação estratégica.
A crise no Washington Post não é recente. Em 2023, o jornal já havia oferecido um plano de demissão voluntária após registrar prejuízo de US$100 milhões (aproximadamente R$525 milhões). Em 2024, sob nova direção do britânico Will Lewis como diretor-executivo e editor, o veículo tentou implementar mudanças para reverter a queda de audiência e assinaturas, incluindo o uso de inteligência artificial para impulsionar comentários.
“Sei que cada um de nós acredita profundamente neste lugar… e todos queremos salvá-lo”, declarou Murray aos funcionários, acrescentando que “devemos trabalhar juntos para nos tornarmos mais ágeis e encontrar novas formas de trabalhar e inovar para entender o que nossos clientes querem mais e o que querem menos”.
O Washington Post foi adquirido por Jeff Bezos em 2013 por US$250 milhões, com a promessa de preservar os valores editoriais do jornal. Apesar da expansão inicial nos primeiros anos após a compra, o veículo tem enfrentado sérias dificuldades financeiras recentemente. Will Lewis chegou a alertar sobre a situação crítica do jornal, afirmando: “Estamos perdendo grandes quantias de dinheiro. As pessoas não estão lendo”.