O Brasil registrou um aumento preocupante nos casos de desaparecimentos em 2025, totalizando 84.760 ocorrências, o que representa 232 casos por dia. Este número indica um crescimento de 4,1% em comparação com 2024, quando foram registrados 81.406 casos.
Mesmo com a implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas em 2019, os números continuam em ascensão. O sistema apresenta dados relevantes sobre o perfil das ocorrências e as tentativas de localização:
* Em 2025, do total de desaparecidos, 28% eram menores de 18 anos, totalizando 23.919 casos – um aumento de 8% em relação a 2024
* Entre o público infantojuvenil, 62% dos casos envolvem meninas, enquanto no panorama geral, 64% dos desaparecidos são homens
* O número de pessoas localizadas também cresceu, chegando a 56.688 em 2025, representando um aumento de 51% desde 2020
O Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, criado em 2025, conta atualmente com a adesão de apenas 12 das 27 unidades da federação, incluindo Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
Simone Rodrigues, coordenadora do Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil (ObDes), destaca: “Apesar de alguns avanços, ainda é tudo muito fragmentado. Não temos uma carteira de identidade nacional e nossos dados biométricos são separados por estados, mas as delegacias não conversam entre si”.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reconhece a existência de subnotificação nos registros oficiais e trabalha para estruturar melhor a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, com expectativa de integrar os demais estados ao cadastro nacional ainda no primeiro semestre de 2026.
A complexidade dos casos de desaparecimento envolve diversos fatores, incluindo violência, tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão e outros crimes. A especialista ressalta que muitos casos não são notificados devido ao medo ou à impossibilidade de acesso às autoridades.