Uma organização criminosa em Curitiba e região movimentou cerca de R$ 82,8 milhões através de um esquema sofisticado de adulteração de combustível e tráfico internacional de drogas, conforme revelado por investigações da Polícia Federal (PF). O esquema envolvia o uso de carros-fortes para transportar dinheiro vivo e ocultar sua origem ilícita.
A investigação identificou um complexo sistema de fraudes em postos de combustíveis que operava de duas maneiras principais: fornecendo menos combustível do que o indicado na bomba ou aumentando ilegalmente a quantidade de etanol na gasolina.
* A organização utilizava postos de combustíveis como ponto inicial para inserir dinheiro ilegal no sistema financeiro através de depósitos em espécie.
* O dinheiro era coletado por carros-fortes e depositado em contas bancárias de uma empresa de tecnologia, eliminando assim o rastro de sua origem.
* Entre abril de 2020 e março de 2022, foram realizados mais de 8.224 depósitos bancários.
* “Laranjas” eram recrutados entre pessoas de baixa renda, recebendo aproximadamente R$ 1,5 mil para emprestar seus nomes na abertura de empresas de fachada.
* De 50 postos analisados em Curitiba e região, 44 forneciam menos combustível do que o indicado na nota fiscal.
* A perícia identificou que 28 das 50 amostras apresentavam qualidade inferior à exigida pela ANP.
* As amostras reprovadas continham entre 35% e 79% de álcool misturado à gasolina, quando o limite permitido era de 27%.
* R$ 148 milhões foram depositados diretamente nas contas da distribuidora
* R$ 203 milhões foram movimentados através de postos e conveniências
* R$ 163 milhões passaram por uma instituição de pagamentos do próprio grupo
* R$ 80 milhões foram distribuídos em contas de 13 operadoras financeiras
* R$ 482 milhões originaram-se de empresas de fachada ligadas a São Paulo
A investigação revelou que o esquema teve início em 2023, quando um casal condenado por tráfico internacional começou a ostentar bens de luxo em Pinhais. O casal acumulou mais de R$ 34 milhões em bens sem origem comprovada.
A Justiça Federal aceitou denúncia contra 18 pessoas envolvidas no esquema, que continua sob investigação da Polícia Federal e demais autoridades competentes.