O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, gerando forte reação do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a decisão, argumentando que a postura conservadora do BC desconsidera a tendência de queda inflacionária e os impactos negativos na economia.
Ricardo Alban, presidente da CNI, criticou enfaticamente a decisão do Copom, destacando que o início do ciclo de redução dos juros já deveria ter ocorrido. Segundo ele, a manutenção da Selic em níveis elevados prejudica significativamente o crescimento econômico do país.
De acordo com projeções da CNI, a taxa de juros real atual, descontada a inflação, está em 10,5%, superando em 5,5% a taxa neutra que não interfere no crescimento econômico. A entidade argumenta que, considerando a inflação acumulada dos últimos 12 meses, a Selic deveria estar próxima de 10,3% ao ano.
Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), alertou que a manutenção da taxa atual pode prolongar efeitos negativos na economia, impactando investimentos, elevando custos de crédito e prejudicando a competitividade da indústria brasileira. Ele defendeu uma “política monetária mais equilibrada, que consiga conciliar o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional”.