Os Estados Unidos apresentaram uma visão audaciosa para a reconstrução de Gaza, propondo transformar o território palestino devastado em um moderno complexo de arranha-céus à beira-mar em um prazo de três anos.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente americano Donald Trump e seu genro Jared Kushner detalharam o ambicioso projeto de revitalização, que faz parte do chamado “Conselho de Paz”. “Sou um profissional do ramo imobiliário de coração, e tudo se resume à localização. Eu disse: olhem para este local à beira-mar, olhem para esta bela propriedade. (…) É uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto do mar”, disse Trump.
Principais pontos do plano de reconstrução:
* O projeto prevê um investimento inicial de 25 bilhões de dólares (R$ 132,45 bilhões) para reconstruir a infraestrutura e serviços públicos destruídos após o conflito iniciado em outubro de 2023
* Kushner apresentou slides mostrando torres de apartamentos com terraços e vista para áreas arborizadas, afirmando que projetos similares já foram realizados no Oriente Médio em prazos semelhantes
* A projeção indica que em dez anos o PIB do território alcançaria 10 bilhões de dólares, com renda média anual de 13 mil dólares por família
* O plano conta com o apoio da incorporadora israelense Yakir Gabay, que segundo Kushner, ofereceu seus serviços “não por lucro, realmente porque de coração querem fazê-lo”
Durante a apresentação, Trump enfatizou o potencial da localização à beira-mar, declarando: “Vamos ter muito sucesso em Gaza. Vai ser algo grandioso”. Kushner complementou afirmando que o território “poderia ser uma esperança, um destino, ter muita indústria e realmente ser um lugar onde as pessoas possam prosperar”.
O projeto enfrenta desafios significativos, considerando que atualmente a região vive em condições descritas pela ONU como “desumanas”. Bairros inteiros, hospitais e escolas sofreram danos extensivos, com centenas de milhares de pessoas vivendo em abrigos improvisados.
Kushner destacou que 85% do PIB de Gaza historicamente veio de ajuda humanitária, uma situação que considera insustentável. Ele argumentou que o desarmamento total do Hamas, previsto no cessar-fogo de outubro, seria fundamental para atrair empresas e doadores ao território.
Em paralelo, especialistas da ONU que investigam violações de direitos humanos esperam que o Conselho de Paz facilite seu acesso à região, até agora bloqueado pelas autoridades israelenses. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, expressou esperança de que o plano possa promover maior cooperação para suas investigações.