A Mastercard assumiu uma participação significativa no Banco Regional de Brasília (BRB) após executar garantias de dívidas do Will Bank, braço digital do Banco Master que entrou em liquidação extrajudicial. A operadora de cartões adquiriu 6,93% do capital social do banco estatal, em uma operação que totaliza R$ 237,4 milhões.
A aquisição compreende aproximadamente 33,7 milhões de ações, sendo 11,75 milhões de ações ordinárias (3,67%) com direito a voto e 21,93 milhões de ações preferenciais (13,21%) com prioridade no recebimento de proventos.
* A Mastercard havia suspendido anteriormente as operações dos cartões emitidos pelo Will Bank devido à inadimplência nos pagamentos
* A empresa executou as garantias após o Will Bank não conseguir honrar seus compromissos financeiros
* O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank na quarta-feira (21)
* A Mastercard também executou garantias da Westwing, empresa varejista de móveis, adquirindo 31,87% do capital social, equivalente a R$ 19 milhões
A operadora de cartões declarou através de fato relevante que não pretende manter a participação acionária no BRB nem exercer direitos políticos durante o período de venda dos ativos. Conforme comunicado oficial: “A Mastercard informa que procederá à alienação de referidas ações, de acordo com a legislação e regulamentação aplicáveis, não tendo a intenção de manter participação acionária no BRB, nem de exercer os direitos políticos a elas vinculados durante o período em que realizará a venda dos ativos excutidos.”
O caso revelou que o empresário Daniel Vorcaro, através do Banco Master, mantinha participação no BRB. Em 2025, uma tentativa de venda do conglomerado para o Banco de Brasília foi impedida pelo Banco Central, que identificou riscos ao Sistema Financeiro Nacional.
Entre 2024 e 2025, o BRB e o Master realizaram operações de troca de ativos que somaram R$ 16,7 bilhões, incluindo carteiras de crédito falsas e ativos irregulares. O banco estatal informou ter liquidado ou substituído mais de R$ 10 bilhões desses ativos, mas o restante ficou congelado após a liquidação extrajudicial.
O caso está relacionado à operação Compliance Zero, que em novembro de 2025 resultou no afastamento e posterior demissão do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia.