Parlamentares europeus votaram hoje para contestar o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul no tribunal superior do bloco. A decisão, que obteve 334 votos favoráveis contra 324 contrários e 11 abstenções, pode atrasar a implementação do pacto em até dois anos.
O acordo comercial, assinado no último sábado (17) entre UE e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), é considerado o maior já realizado pelo bloco europeu. No entanto, enfrenta forte oposição, principalmente da França, maior produtor agrícola da União Europeia.
Um grupo de 144 parlamentares apresentou uma moção solicitando ao Tribunal de Justiça da UE que avalie dois pontos cruciais:
* Se o acordo pode ser aplicado antes da ratificação completa por todos os países-membros
* Se suas disposições limitam a capacidade da UE de estabelecer políticas ambientais e de proteção ao consumidor
Os opositores argumentam que o acordo resultará em um aumento significativo nas importações de produtos agrícolas como carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, o que poderia prejudicar os produtores europeus, que já vêm realizando protestos constantes.
Por outro lado, países como Alemanha e Espanha defendem o acordo, destacando sua importância estratégica em um cenário de distúrbios comerciais globais. Eles argumentam que o pacto é fundamental para compensar negócios perdidos devido às tarifas americanas e reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a minerais essenciais.
Embora a UE possa aplicar o acordo provisoriamente enquanto aguarda a decisão judicial e a aprovação parlamentar, essa medida pode enfrentar resistência política significativa. O Parlamento Europeu mantém o poder de anular o acordo posteriormente, e há preocupações de que os países do Mercosul estejam perdendo a paciência após anos de negociações.