Haddad defende redução de juros da dívida pública

Haddad defende redução de juros da dívida pública

Ministro da Fazenda afirma que problema da dívida pública está nos juros elevados e não no déficit, destacando resultado primário melhor que o previsto

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que o principal desafio da dívida pública brasileira está relacionado aos juros elevados e não ao déficit fiscal. Durante entrevista ao Uol News, o ministro apresentou dados que sustentam sua posição e discutiu diversos aspectos da política econômica atual.

De acordo com Haddad, o déficit do ano anterior ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), mesmo considerando todas as exceções fiscais, incluindo o ressarcimento dos descontos indevidos aos trabalhadores do INSS. Este resultado é significativamente menor que a projeção de 1,6% do PIB feita pelo governo anterior.

Principais pontos abordados pelo ministro:

* A meta fiscal para o ano atual é mais rigorosa que a dos anos anteriores, demonstrando um compromisso crescente com a responsabilidade fiscal.

* Sobre a taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%, Haddad afirmou que há espaço para redução: “Óbvio que, quando me perguntam [sobre esse tema], eu falo que tem espaço para cortar [os juros] porque eu acho que tem.”

* O ministro elogiou a atuação de Gabriel Galípolo no Banco Central, especialmente na condução do caso do Banco Master: “Eu dizia que ele herdou um problema que só vai ser conhecido depois. Ele herdou um problema que é o Banco Master, todo ele constituído na gestão anterior. O Banco Master não aconteceu na gestão atual, o Galípolo descascou um abacaxi. E descascou o abacaxi com responsabilidade.”

Haddad também defendeu uma ampliação do perímetro regulatório do Banco Central, sugerindo que a instituição assuma a fiscalização dos fundos de investimentos, atualmente sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM, na minha opinião, equivocadamente”, argumentou.

Sobre questões políticas, o ministro comentou que a economia não será fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, citando que pesquisas apontam outros temas como principais preocupações nacionais, incluindo segurança pública e combate à corrupção. Quanto ao seu futuro político, Haddad indicou que não pretende se candidatar a cargos públicos nas próximas eleições, embora ainda esteja em discussão com o presidente Lula.

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