A delegada Layla Lima Ayub foi presa em São Paulo durante operação do Ministério Público, acusada de advogar para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorreu enquanto ela cumpria estágio probatório na Academia de Polícia, período em que delegados recém-empossados passam por avaliações semestrais.
O secretário da Segurança Pública, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, confirmou que Layla participou de uma audiência de custódia como advogada no Pará, mesmo após assumir o cargo de delegada. “Nossa aluna que passou aí no concurso de delegada, e não tinha nenhum apontamento contra ela […] cortamos da própria carne, mas é o exemplo que estamos dando”, declarou o secretário.
Principais pontos da investigação:
* Layla Lima Ayub tomou posse como delegada em 19 de dezembro de 2025, em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual de São Paulo
* Na posse, estava acompanhada do namorado Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima
* Nove dias após sua posse, em 28 de dezembro, ela atuou como advogada na defesa de quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará
* A Justiça decretou a prisão temporária dela e do namorado por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e Marabá (PA), incluindo a Academia da Polícia Civil, no Butantã, onde Layla mantinha um armário. O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Costa, destacou que “além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido”.
As investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) indicam que Layla pode ter utilizado seu cargo para beneficiar a facção criminosa, tendo acesso a inquéritos e bancos de dados restritos. Além disso, há suspeitas de que ela e o namorado adquiriram uma padaria em Itaquera, Zona Leste de São Paulo, usando dinheiro de origem ilícita e um “laranja” para ocultar a verdadeira propriedade do estabelecimento.
A conduta da delegada viola tanto o Estatuto da Advocacia quanto normas estaduais, que proíbem delegados de polícia de exercerem advocacia privada. O caso representa um grave exemplo de infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado.