O Tribunal de Contas da União (TCU) recuou na inspeção do Banco Central sobre o caso Master após intensa pressão de diversos setores do poder público. A decisão de paralisar a investigação e não interferir na liquidação do Banco Master envolveu uma mobilização que incluiu ministros do próprio TCU, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e membros do governo Lula. As informações são de O Globo.
A situação ganhou destaque após uma série de eventos que demonstraram preocupação com possíveis impactos no mercado financeiro:
* Pelo menos três ministros do TCU alertaram o presidente Vital do Rêgo sobre os riscos de apoiar a iniciativa do ministro Jhonatan de Jesus, que questionava a autoridade do BC na estabilidade do sistema financeiro nacional.
* Em conversas reservadas, um ministro afirmou: “Vital do Rêgo ia virar um pato manco faltando um ano para acabar o mandato dele na presidência” e complementou: “Ninguém quer passar para o Supremo e para a opinião pública a imagem de que está do lado dos bandidos.”
* Ministros do STF manifestaram preocupação com a situação, considerando que o TCU estava ultrapassando suas competências ao analisar os procedimentos do BC na liquidação do Master.
* Em grupo de WhatsApp dos ministros do TCU, Vital do Rêgo inicialmente defendeu que o tribunal estava “sob ataque”, apoiando Jhonatan de Jesus, mas posteriormente mudou seu posicionamento sob pressão.
O caso envolveu também tentativas de influenciar a opinião pública, com propostas milionárias sendo oferecidas a influenciadores digitais para questionar a decisão do BC sobre o Master. A autarquia havia identificado contratos falsificados que justificaram um repasse de R$ 12,2 bilhões do BRB para o Master.
O recuo do TCU foi visto como uma medida para acalmar o ambiente, especialmente após Vital do Rêgo declarar à Reuters que o “processo de “desliquidação” do Master não cabe ao TCU”.
Jhonatan de Jesus, que havia determinado uma inspeção urgente no BC e ameaçado desfazer o processo de liquidação, acabou recuando após perceber a falta de suporte no tribunal. Como observou um integrante da Corte de Contas: “Jhonatan percebeu que não tinha suporte no tribunal, e quando o presidente Vital recuou, não sobrou nada para ele além de recuar também”.