Familiares e amigos se despediram, nesta terça-feira (2), da mãe, de 32 anos, e da filha caçula, de 6. As duas foram sepultadas no Cemitério Parque Terra Santa, em Sabará, na Grande BH, um dia após caírem do 10º andar do Hotel Nacional Inn, no Centro da capital. A tragédia teve novos detalhes revelados através do depoimento da filha mais velha, de 13 anos, que presenciou o ocorrido e agora está sob os cuidados da avó.
Na tarde de segunda-feira (1º), de acordo com o relato da adolescente à Polícia Militar, a mãe, em meio a uma crise, apresentou três “opções” às filhas, incluindo a possibilidade de todas tirarem a própria vida com remédios. A jovem de 13 anos recusou. A mãe, então, teria decidido que a caçula “não teria escolha”. A menina de 6 anos recebeu medicação, ficou sonolenta e foi jogada pela janela pela própria mãe, que em seguida se atirou. A criança caiu na marquise do prédio; a mãe, na calçada. Ambas morreram no local.
Depressão grave e tratamento interrompido
Amigos e familiares apontam um longo histórico de depressão como pano de fundo para a tragédia. Sheila Brandão, amiga da família, disse à rádio Itatiaia que a mulher fazia uso de medicamentos, mas havia interrompido o tratamento há mais de um ano e aumentado o consumo de álcool “como uma fuga”. Ela ressaltou que o caso “não cabe julgamentos”.
“Como a depressão dela não era ‘de ir pra cama’ ou de ‘se isolar’, a família e amigos não notaram os possíveis sinais, como a interrupção da medicação e a hospedagem repentina no hotel”, afirmou Sheila.
A tia das crianças, Mariana Gonçalves, detalhou que o quadro depressivo se agravou a partir de 2020, após a mãe denunciar um suposto abuso sexual sofrido pelas filhas. A estadia no hotel na Rua Espírito Santo ocorreu após um desentendimento da mulher com um ex-companheiro, padrasto das crianças. Tanto a amiga quanto o ex-companheiro classificaram o desentendimento como banal e negaram que o relacionamento fosse conturbado.
A adolescente e as investigações
A filha de 13 anos, que recusou a proposta da mãe e testemunhou a morte da irmã, recebeu apoio inicial dos funcionários do hotel e agora está sob tutela da avó materna. “Ela parece não querer acreditar no que aconteceu”, descreveu a tia, Mariana.
O Hotel Nacional Inn, em nota, lamentou “profundamente” o episódio e afirmou estar colaborando com as investigações, reforçando seu compromisso com a segurança e o apoio à família. O Corpo de Bombeiros e o Samu atenderam à ocorrência, mas só puderam confirmar os óbitos.
O caso está sob a responsabilidade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga todas as circunstâncias que levaram à queda.