Zema será ouvido pela Polícia Civil por uso de celular durante voto

Foto: Elizabete Guimarães/ALMG
Ex-governador e mesários serão intimados pela Polícia Civil após Zema ser flagrado com celular na cabine de votação em Araxá
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), será ouvido pela Polícia Civil por determinação da Justiça Eleitoral para esclarecer o uso de celular na cabine de votação no domingo (4/10), durante o primeiro turno das Eleições 2026. Zema votou na Escola Estadual Delfim Moreira, em Araxá, no Alto Paranaíba, ocasião em que concorria à Presidência da República. Segundo a Justiça, as diligências deverão ser cumpridas no prazo de 10 dias, levando em consideração que o candidato Romeu Zema Neto provavelmente estará em Araxá para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que "cumprirá as diligências determinadas no processo". Além do ex-governador, os mesários presentes na seção eleitoral também serão ouvidos, uma vez que o uso de celular é proibido nas cabines de votação. Zema usou o aparelho e os mesários permitiram a prática. Para o cumprimento da diligência, o Cartório Eleitoral deverá certificar nos autos a composição da mesa, bem como os dados necessários para a intimação dos mesários. A Justiça também solicitou as imagens à emissora de TV que registrou o momento da votação de Zema. O candidato foi flagrado com o aparelho na mão enquanto votava, por volta das 9h, na Escola Estadual Delfim Moreira, no Centro de Araxá. A legislação eleitoral proíbe que eleitores entrem na cabine portando celulares ou outros equipamentos eletrônicos. O presidente do TRE-MG classificou o episódio como uma "sucessão de equívocos", afirmando que os mesários foram orientados previamente sobre a proibição e que a situação envolvendo o candidato deverá ser apurada.
No dia do ocorrido, Zema afirmou que não fotografou seu voto, mas que usou o celular para levar a "colinha" de votação. Ele também alegou que, caso tivesse sido alertado pelos mesários, não teria usado o aparelho. "Eu ando com o celular o dia todo, né? Ele é quase que como se fosse um dedo. E ninguém me lembrou ali e eu fui votar normalmente", declarou Zema. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga, foi categórico ao avaliar a conduta do candidato durante entrevista coletiva em Belo Horizonte. "Isso é irregular e caracteriza crime. Isso pode, inclusive, gerar pena de detenção", afirmou Braga. A reportagem procurou a assessoria de Romeu Zema, mas até a publicação da matéria não obteve resposta.