Em encontro com Putin, enviado dos EUA leva propostas para fim da guerra

Presidente da Rússia, Vladimir Putin - Créditos: kremlin.ru via Wikimedia Commons
Enviado americano Steve Witkoff se reuniu com Putin em São Petersburgo para apresentar ideias voltadas a um acordo de paz na Ucrânia
O enviado dos Estados Unidos, Steve Witkoff, reuniu-se nesta quarta-feira (21/10), em São Petersburgo, com o presidente russo, Vladimir Putin, para apresentar uma série de propostas voltadas a um possível acordo de paz na Ucrânia. O encontro, realizado pouco depois das 6h no horário de Brasília, marca mais um capítulo nas tentativas diplomáticas de encerrar um conflito que já dura mais de quatro anos e meio.
Ao abrir a reunião, Witkoff entregou pessoalmente documentos ao líder russo. "Trouxemos documentos. São ideias para uma espécie de acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. O senhor poderá ler tudo isso com calma", disse Witkoff a Putin, em declarações transmitidas pela televisão estatal russa.
À margem do encontro, a Rússia anunciou a libertação de um cidadão americano e a iminente partida do primeiro navio carregado com diesel russo rumo aos Estados Unidos.
Witkoff classificou Putin como "humanista" após o anúncio da soltura de Stephen Hubbard, um professor de inglês aposentado de 75 anos. Hubbard havia sido condenado, em julgamento a portas fechadas realizado em outubro de 2024, a quase sete anos de prisão por suposta "atividades mercenárias" em favor da Ucrânia, acusação que ele nega.
O presidente americano, Donald Trump, declarou esta semana ter pedido à Rússia a libertação do detido e, na mesma quarta-feira, anunciou que ele está "a caminho" dos Estados Unidos. A libertação ocorreu sem "contrapartida", assegurou Trump.
Witkoff também avaliou que a cooperação econômica entre Moscou e Washington ilustra "as possibilidades" que se apresentam para o futuro.
No campo econômico, Putin informou que o primeiro navio petroleiro, carregando 40.000 toneladas de diesel russo com destino aos Estados Unidos, partirá em "dois ou três dias". O vice-primeiro-ministro Alexander Novak indicou quinta-feira como a data provável de partida.
O acordo para o fornecimento de diesel russo havia sido anunciado por Trump no início de outubro, mas foi duramente criticado por Kiev e seus aliados, que veem no levantamento de sanções contra a Rússia um sinal preocupante. A medida é interpretada também como uma tentativa de reduzir os preços dos combustíveis para os consumidores americanos antes das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro, pleito que se desenha difícil para Trump e os republicanos.
Negociações "positivas" em Oslo
A reunião de São Petersburgo ocorreu em um momento delicado na relação entre Washington e Kiev, que considera que os Estados Unidos passaram a apoiar a Rússia.
A situação, porém, pareceu melhorar após um encontro realizado na terça-feira, em Oslo, entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, Witkoff e o enviado americano Jared Kushner, que participou por videoconferência. Líderes noruegueses e finlandeses também estiveram presentes.
Ao final do encontro em Oslo, Zelensky reivindicou ter voz em qualquer negociação sobre o futuro de seu país.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, em visita à Índia, avaliou que as conversas foram "positivas". "Nada inesperado", mas "agora, com essas ideias, (Steve Witkoff) poderá ir a São Petersburgo e compartilhá-las com o lado russo", afirmou.
Uma autoridade americana declarou à AFP que as conversas foram "muito produtivas e construtivas" e que "agora existe uma grande convergência entre Estados Unidos, Ucrânia e Europa sobre os próximos passos".
Apesar dos esforços diplomáticos em curso, os combates continuam no front, sem avanços significativos por parte de nenhum dos lados.