Vorcaro pede inquérito sobre vazamentos e alerta para nulidade de mensagens

Empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro - Foto: Banco Master/Divulgação
Defesa de Vorcaro cobra investigação de vazamentos de WhatsApp e alerta para nulidade das mensagens em eventual processo criminal
A defesa do dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrando a instauração de um inquérito para apurar os responsáveis pelos vazamentos de mensagens de WhatsApp extraídas do celular do banqueiro. Os advogados alertaram que o conteúdo vazado seria nulo para embasar qualquer procedimento criminal contra Vorcaro. No documento, a defesa pediu investigação tanto de "agentes públicos" quanto de "terceiros" envolvidos nos vazamentos. "Requer-se que seja determinada a instauração de uma investigação criminal ampla, visando apurar os responsáveis pelos selecionados e criminosos vazamentos programáticos da intimidade e da vida pessoal do peticionário", cobrou a defesa.
Os advogados também destacaram o vazamento de diálogos entre Vorcaro e seus próprios advogados, classificando a situação como uma ilicitude grave. "O que, por si só, se configura em ilicitude, por ser proibido e porque viola o sigilo advogado-cliente, vilipendia e criminaliza o exercício da advocacia, fazendo tábula rasa a figura do advogado como essencial à administração da Justiça", questionou a defesa. Além disso, os advogados reclamaram que a vida pessoal, a intimidade e a honra de Vorcaro teriam sido alvos de "espetacularização midiática". "A dimensão pública assumida pelas investigações acabou por produzir verdadeira espetacularização do caso, em que praticamente qualquer informação relacionada ao peticionário passa a ser imediatamente repercutida", alegaram.
A defesa citou ainda uma reportagem da revista "Piauí", publicada no dia 9 de outubro, que trouxe o histórico de pesquisas de Vorcaro na ferramenta "ChatGPT". "(Os vazamentos) Abordam todos os aspectos de sua vida pessoal e privada, alcançando o absurdo patamar que seu histórico de pesquisa em conhecida ferramenta de inteligência artificial tenha sido publicizado", mencionou o documento. Em nova sinalização de que buscarão a nulidade da investigação, os advogados ressaltaram que as mensagens extraídas do celular do banqueiro seriam "imprestáveis" e que "contaminam" o aproveitamento pela Polícia Federal (PF) para responsabilizá-lo. "Servem e tem como único propósito a continuidade e o aprofundamento do processo de linchamento público em desfavor de Vorcaro", disseram.
A defesa classificou os vazamentos como "sem precedentes na história nacional". "Toda e qualquer conversa travada pelo peticionário tornou-se de conhecimento público – sem qualquer forma de confirmação sobre sua idoneidade e veracidade ou a forma em que obtidas - em um processo sem precedentes na história nacional", apontou. A PF já conduz um inquérito para apurar o vazamento do histórico de diálogos entre Vorcaro e a então noiva, Martha Graeff, ocorrido em fevereiro de 2026. O material veio a público após a polícia compartilhar o conteúdo da quebra de sigilo telemático do banqueiro com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.