Valdemar diz que Flávio se despediu do pai antes de fuga, mas depois muda versão

Marcello Casal JrAgência Brasil
Presidente do PL afirmou que Flávio se despediu do pai antes de fugir, mas depois recuou e disse que Bolsonaro não sabia da decisão do filho
O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (29) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria se despedido do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, um dia antes de fugir para os Estados Unidos. Em seguida, porém, Valdemar se corrigiu e declarou que Bolsonaro não sabia da decisão do filho. Valdemar atendeu brevemente a imprensa em Brasília após visitar o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar. "Se despediu, lógico", disse Valdemar inicialmente. Questionado sobre se Flávio havia comunicado ao pai sobre a fuga, o presidente do PL recuou: "Se despediu, lógico... Não, ele não falou com o pai. O Bolsonaro não sabia. Ele veio para ver o pai, ele não sabia que iria. Nem o Bolsonaro sabia que ele iria." Valdemar também comentou sobre o estado do ex-presidente durante a visita, afirmando que não o via havia muito tempo e que ficou satisfeito ao encontrá-lo bem. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido da defesa de Bolsonaro.
Ainda antes da visita, Valdemar já havia demonstrado descontentamento com uma carta publicada por Flávio Bolsonaro, na qual o senador se apresentava como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". "Não gostei, não gostei", declarou Valdemar a jornalistas ao chegar ao condomínio onde Bolsonaro reside. Segundo ele, o texto com teor golpista divulgado por Flávio na véspera não foi aprovado por nenhum integrante do partido. A carta circulou inicialmente por aliados do senador, com Flávio se intitulando "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". Posteriormente, o próprio senador publicou uma nova versão em seu perfil, na qual passou a se denominar "líder do Brasil".
No texto, Flávio apontou, sem apresentar provas, uma suposta "fraude eleitoral" e responsabilizou o ministro Cristiano Zanin, do STF, pelo resultado da eleição que deu a vitória ao presidente Lula (PT). A polêmica em torno da prorrogação do horário de votação remonta ao domingo (25), quando Zanin estendeu o prazo até as 19h, às 16h57, após relatos de redução da frota de ônibus e dificuldades de deslocamento de eleitores, especialmente em São Paulo e na Bahia. As campanhas dos dois candidatos haviam acionado o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para tentar ampliar o horário do segundo turno — a de Lula pediu extensão em todo o país, enquanto a de Flávio solicitou em cinco estados. Sem resposta na Justiça Eleitoral, a coligação do PT recorreu ao STF por meio de reclamação distribuída ao ministro Zanin, mas direcionada ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Apesar da prorrogação de duas horas, apenas 34,3 mil votos foram registrados após as 17h. Lula venceu Flávio com uma diferença superior a 4 milhões de votos. As declarações contraditórias de Valdemar sobre o conhecimento de Bolsonaro acerca da fuga do filho reforçam as dúvidas sobre o que o ex-presidente sabia antes da partida de Flávio para os Estados Unidos.