Unicef alerta sobre desnutrição em Gaza

Gaza. Fonte: Wikipedia/ Creative Commons
Agência da ONU pede que pontos de passagem permaneçam abertos após interrupção de suprimentos comerciais em Gaza
O Unicef, agência da ONU para a infância, alertou na sexta-feira que os avanços no combate à desnutrição em Gaza continuam frágeis e podem ser comprometidos pelas interrupções no abastecimento ao enclave palestino. A agência pediu que todos os pontos de passagem permaneçam abertos para garantir o fluxo contínuo de suprimentos. A situação se agravou após Israel informar, na quarta-feira, que mercadorias comerciais deixaram de entrar em Gaza. O país descreveu o problema como uma disputa sobre impostos entre comerciantes locais e o grupo militante Hamas.
A medida cortou uma fonte vital de alimentos e outros bens em um território onde a maioria da população depende de assistência humanitária, após três anos de guerra, deslocamentos repetidos e restrições rigorosas impostas por Israel às entregas de ajuda. Embora o cessar-fogo tenha melhorado o acesso à ajuda e reduzido os combates em grande escala, as agências humanitárias afirmam que os ataques contínuos, os deslocamentos e a destruição generalizada deixaram os civis em situação de alta vulnerabilidade.
Em declarações à imprensa em Genebra, o porta-voz do Unicef Ricardo Pires afirmou que o fluxo de suprimentos comerciais e humanitários precisa permanecer previsível e contínuo. "O impacto sobre as crianças, obviamente, será sentido se essa situação não for resolvida", declarou ele. "Não podemos voltar a uma situação em que crianças e famílias não estejam recebendo todos os suprimentos, bens e serviços de que necessitam." O Unicef também pediu melhorias nas condições de vida no enclave amplamente devastado. Cerca de 800 mil crianças ainda estão deslocadas e a maioria vive em barracas ou prédios inseguros, com a aproximação do inverno. A agência ressaltou que melhores abrigos e serviços básicos são essenciais para apoiar uma recuperação duradoura na região.