Santander prevê melhora nas margens em 2027

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
O Santander Brasil registrou queda de 28% no lucro no terceiro trimestre e ainda prevê perdas em operações financeiras até 2027
O Santander Brasil projeta uma melhora nos resultados de suas operações financeiras apenas em 2027, mas ainda prevê perdas em uma das principais linhas de receita. Ao mesmo tempo, a estratégia de reduzir a exposição a empréstimos mais arriscados deve continuar pressionando a rentabilidade no curto prazo. As perspectivas foram apresentadas durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre. No período, o lucro líquido gerencial recorrente caiu 28% em relação ao mesmo trimestre de 2025, atingindo R$ 2,885 bilhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador que mede quanto o banco ganha em relação ao capital dos acionistas, recuou de 17,5% para 11,9%. Os papéis do banco negociados na B3 (SANB11) reagiram negativamente, recuando 5,14% às 11h, cotados a R$ 24,54.
Carlos Muñiz González-Blanch, diretor financeiro (CFO) e de Relações com Investidores do Santander, sinalizou uma perspectiva mais favorável para a margem financeira com o mercado, que reúne resultados de operações financeiras e da gestão de riscos do banco. Essa linha registrou prejuízo de R$ 895 milhões no terceiro trimestre, perda 24,7% maior que a do trimestre anterior.
Camila Stolf Toledo, diretora executiva de Relações com Investidores, explicou que o Santander vem reduzindo sua exposição às oscilações dos juros. As posições financeiras já protegidas ainda devem gerar perdas em 2027, mas de forma significativamente menor, segundo a executiva. O Santander está substituindo parte das operações de maior risco por financiamentos com garantias e clientes de renda mais elevada. Embora a mudança possa reduzir a inadimplência, também diminui o spread, que é a diferença entre os juros cobrados dos clientes e o custo do dinheiro utilizado pelo banco. Segundo Camila, a estratégia busca compensar os retornos menores dos empréstimos com uma carteira mais resistente a perdas, ampliação do relacionamento com os clientes, crescimento dos depósitos e receitas de serviços.
Muñiz destacou o agronegócio e as empresas menores entre os principais pontos de atenção no crédito. Gilson Finkelsztain, presidente do Santander Brasil, alertou que a manutenção dos juros elevados por mais tempo pode ampliar as dificuldades financeiras dos clientes nos próximos trimestres. Finkelsztain afirmou ainda que o crescimento entre pequenas e médias empresas deve estar associado a serviços como gestão de caixa, recebimentos de vendas e operações com cartões, buscando conhecer melhor a movimentação financeira dos clientes e reduzir a dependência de empréstimos sem garantias. Camila explicou que as operações com empresas menores costumam oferecer juros mais elevados ao banco, justamente pelo maior risco. Diminuir sua participação na carteira pode reduzir a receita inicialmente, mas também limitar perdas futuras com inadimplência. Segundo Muñiz, o Santander continua observando dificuldades entre consumidores de baixa renda e passou a identificar sinais de deterioração nos cartões de crédito da média renda. Clientes de maior renda e grandes empresas, por outro lado, continuam apresentando indicadores de crédito relativamente melhores.
Muñiz relatou maior pressão nas operações de financiamento de carros usados e para clientes de baixa renda, enquanto veículos novos, híbridos e elétricos, geralmente associados a consumidores de renda mais elevada, apresentam comportamento mais favorável. O Santander também ajustou a concessão de crédito para motocicletas, o que contribuiu para melhorar o desempenho dos financiamentos concedidos mais recentemente. Camila destacou que o crédito imobiliário, embora ofereça spreads menores, pode atrair depósitos e estimular a contratação de outros produtos e serviços bancários, compensando parte da rentabilidade menor do empréstimo. A executiva também explicou que mudanças nos prazos para retirar empréstimos considerados de difícil recuperação dos registros contábeis afetam o indicador de atrasos superiores a 90 dias. Cartões e empréstimos sem garantia passaram a ter prazo de nove meses para baixa, enquanto determinadas operações com garantias tiveram os prazos ampliados para refletir as possibilidades de recuperação dos valores. Segundo Camila, a influência das mudanças contábeis sobre os indicadores deve diminuir ao longo de 2027. Muñiz acrescentou que o Santander está mais rigoroso nas renegociações de dívidas, buscando acordos que aumentem efetivamente as chances de receber os valores em atraso.