Rússia poupa empresas dos EUA e pune europeias por relação com Ucrânia

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Moscou intensifica apreensões contra companhias europeias enquanto busca reaproximação comercial com Washington em meio à guerra na Ucrânia
A Rússia intensificou medidas repressivas contra empresas europeias em resposta ao apoio da Europa à Ucrânia, enquanto poupa, em grande parte, companhias norte-americanas. O movimento ocorre em um momento em que Moscou busca estreitar laços comerciais com Washington, segundo autoridades russas e empresários dos EUA. Das 20 empresas de capital estrangeiro colocadas sob administração temporária pelo presidente russo Vladimir Putin desde a posse de Donald Trump, em janeiro de 2025, apenas três tinham vínculos com os EUA.
As demais eram controladas por empresas europeias, segundo análise da Reuters com base em dados oficiais. Uma pessoa próxima aos reguladores financeiros russos afirmou que, embora negociações comerciais estivessem em andamento com Washington, não era do interesse de Moscou adotar uma postura tão dura em relação às empresas norte-americanas quanto a que o Kremlin vinha adotando em relação às europeias. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, se reuniu com Putin em São Petersburgo para conversas com o objetivo de resolver a guerra na Ucrânia. Agências de notícias russas informaram que Putin disse a Witkoff estar interessado em restabelecer laços econômicos com os Estados Unidos. A Ucrânia e seus aliados têm manifestado preocupações com o fato de os EUA estarem se afastando de Kiev, enquanto Trump criticou os ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas.
A Rússia, citando o apoio da Europa à Ucrânia durante a guerra e seu envolvimento em "hostilidades diretas no campo de batalha", assumiu o controle das unidades locais do grupo alimentício suíço Nestlé e das redes de varejo Auchan e Metro. Na semana passada, também tomou o controle dos ativos locais de quatro empresas menores de França, Alemanha, Suécia e Bélgica. "O país de origem foi um dos fatores levados em consideração na tomada da decisão", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que esses países estavam envolvidos em "expropriações ilegais de propriedades russas". A Nestlé, que anunciou em setembro que tomaria medidas para proteger seus direitos na Rússia, se recusou a comentar o assunto. As outras empresas não responderam aos pedidos de comentário. Um porta-voz da Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos da Suíça afirmou que as informações disponíveis corroboravam a percepção de que mais empresas europeias do que norte-americanas estavam sendo afetadas. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.
Ao comentar a reportagem após sua publicação, o Kremlin afirmou que as empresas dos EUA estavam sendo tratadas melhor do que suas rivais europeias devido aos esforços de Trump para alcançar a paz na Ucrânia. "O governo norte-americano está se empenhando bastante para ajudar a alcançar uma solução pacífica; as capitais europeias não estão fazendo nada para ajudar, ao mesmo tempo em que fazem de tudo para prolongar a ação militar", disse o porta-voz do Kremlin aos repórteres. As relações da Rússia com o governo Trump se aqueceram. Os EUA anunciaram um acordo para comprar diesel russo, e outros acordos, inclusive sobre gás, foram discutidos em reuniões nos últimos meses. Trump assinou um decreto suspendendo sanções e tarifas importantes sobre produtos russos. O negociador russo Kirill Dmitriev, banqueiro de investimentos formado nos EUA que chefia o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), saudou a medida como um "momento histórico". A Comissão Europeia, em Bruxelas, se recusou a comentar sobre o número de empresas da UE visadas em comparação com as norte-americanas, mas afirmou que as recentes apreensões de ativos ocorreram sem o devido processo legal e equivaleram a uma "expropriação forçada em tudo, menos no nome". "Isso segue um padrão claro de retaliação econômica", disse um porta-voz da Comissão à Reuters, acrescentando que as medidas mostravam que "a Rússia não é um ambiente seguro para os negócios".