Renato Cariani é denunciado por tráfico; pena pode chegar a 51 anos

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Renato Cariani pode pegar até 51 anos de prisão por tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro, segundo o MP-SP
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o empresário e influenciador fitness Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. A Justiça de São Paulo agora decidirá se aceita ou não a denúncia. Em caso de condenação, a pena de Renato Cariani pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade. O influenciador, que acumula mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões no YouTube, é suspeito de participar de um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas, especialmente crack e cocaína.
Em nota enviada ao g1, a defesa de Renato Cariani afirmou que o pedido do Ministério Público "não representa nenhuma surpresa" e que vai demonstrar, "com base na prova produzida ao longo da instrução", que as teses de acusação são improcedentes. Além de Renato Cariani, a promotoria pede que os empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira também sejam condenados pelos mesmos crimes, por participação no mesmo esquema. O advogado criminalista Anderson Almeida explicou o alcance das penas: "Considerando o acolhimento integral do pedido acusatório, com a condenação por associação para o tráfico, por 59 crimes de tráfico de insumos e por 59 crimes de lavagem de dinheiro, a pena poderá variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão para cada réu, além das multas, desde que reconhecidas a continuidade delitiva nas duas últimas séries e o concurso material entre os três grupos, sem outras causas de aumento ou diminuição". O advogado ainda acrescentou: "O ponto determinante é que, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça, sete ou mais infrações em continuidade delitiva justificam o acréscimo de dois terços, aplicado tanto ao cálculo mínimo quanto ao máximo. O máximo calculado corresponde à soma das penas na condenação e se distingue do limite legal de cumprimento disciplinado pelo artigo 75 do Código Penal, [que limita o cumprimento de pena a 40 anos]".
Renato Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada em dezembro de 2023, que desmontou um esquema de desvio de produtos químicos para a produção de drogas. Na época, a Polícia Federal apontou que uma das empresas da qual ele era sócio, a Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo, fraudava a venda de insumos para empresas farmacêuticas, sendo o material desviado para o refino de cocaína. Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa de Renato Cariani simulou a venda de produtos para empresas que não tinham solicitado as mercadorias, e ele mesmo teria criado pedidos fictícios para justificar os desvios.
O Gaeco detalhou um dos episódios na denúncia: "Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). [...] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem "arquivados". E, tal qual explícito de seu aparelho celular, agiu para subverter a fiscalização, aproximando-se de policial civil responsável pela fiscalização e induzindo o arquivamento de expediente investigativo antecedente". O Gaeco também apontou que mensagens extraídas do celular de Renato Cariani revelam uma estreita relação com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos usados para o refino de drogas. Segundo a promotoria, Renato recebia informações sobre diligências realizadas pelo policial, opinava sobre determinadas situações e chegava a indicar ou sugerir empresas que poderiam ser alvo de fiscalização, o que, segundo o Gaeco, "evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos". "As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era "utilizada para aumentar o rendimento da cocaína"", afirma o Gaeco. Os promotores também argumentam que "as mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa".
As investigações contra a empresa tiveram início em 2019, quando a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que a Anidrol havia emitido notas fiscais no ano de 2017 referentes a movimentações de produtos químicos que a empresa não reconhecia como suas. Fábio Spínola Mota seria um dos responsáveis por realizar depósitos em espécie na conta da Anidrol, sob responsabilidade da AstraZeneca, em 2019. Segundo as investigações, Fábio criou um falso e-mail em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa de Renato Cariani teria negociado a compra dos produtos. Além de ser apontado como responsável pela venda dos produtos químicos, Fábio Spínola é descrito como intermediador no fornecimento das substâncias, sendo o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína. Era ele quem direcionava e negociava a entrega dos produtos químicos para o tráfico de drogas. Apesar do pedido de condenação dos três réus, o Gaeco solicitou à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Renato Cariani na empresa Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que na época também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.
Por meio de nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Renato Cariani, afirmou receber "com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público". "Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes", disse Romani. O advogado ainda declarou: "Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani". O g1 também tenta contato com a defesa de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Renato Cariani é um dos principais nomes do mundo fitness no Brasil, conhecido por ser um dos maiores apoiadores do fisiculturismo nacional. Com 50 anos, ele é casado com Tatiane Martines Cariani e se apresenta nas redes sociais como professor de química, professor de educação física, atleta profissional, empresário e youtuber. Seus vídeos relacionados ao mundo da dieta e do culto ao corpo acumulam 1 bilhão de visualizações.