Justiça dos EUA emite ordem de prisão a ex-presidente cubano Raúl Castro

Ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, em 2016 - Foto: Presidência de El Salvador/Wikimedia Commons (CC0)
A Justiça da Flórida acusa Raúl Castro de homicídio pela derrubada de dois aviões de exilados cubanos em 1996, que matou quatro pessoas
A Justiça da Flórida emitiu, nesta segunda-feira (19/10), um mandado de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 95 anos. O anúncio foi feito pelo procurador-geral do estado, James Uthmeier, que acusa Castro de homicídio e outros crimes relacionados à derrubada de duas aeronaves operadas por um grupo de exilados cubanos em fevereiro de 1996.
Além da acusação de homicídio, Raúl Castro responde por dois crimes de destruição de aeronave e um de conspiração para matar cidadãos americanos. À época do episódio, ele ocupava o cargo de ministro da Defesa no governo de seu irmão, Fidel Castro.
"Raúl Castro ordenou o assassinato premeditado, sancionado pelo Estado, de quatro moradores da Flórida, a sangue-frio", afirmou Uthmeier. O procurador-geral declarou ainda que o estado continuará buscando responsabilização pelas mortes de Carlos Costa, Pablo Morales, Mario de la Peña e Armando Alejandre Jr.
As acusações têm como base o episódio de 24 de fevereiro de 1996, quando aeronaves militares cubanas derrubaram dois aviões operados pelo grupo Irmãos ao Resgate, organização formada por exilados cubanos contrários ao governo da ilha. Os quatro tripulantes morreram, sendo três deles cidadãos americanos.
As aeronaves foram abatidas sobre águas internacionais, conforme as informações citadas na denúncia. Segundo a acusação formal apresentada pela Flórida, agentes da inteligência cubana infiltrados no grupo repassaram informações sobre os voos às autoridades de Cuba.
O documento atribui a Raúl Castro um papel central na autorização do ataque, destacando que ele exercia, à época, as funções de ministro da Defesa e primeiro vice-presidente do país.