Itaú vê potencial de alta de 40% em ações da Petrobras

Reprodução/Flickr
Itaú BBA vê potencial de alta de até 40% para a Petrobras com redução do risco percebido e aproximação dos múltiplos às grandes petroleiras
O Itaú BBA avalia que as ações da Petrobras têm potencial de valorização entre 35% e 40% em relação aos níveis atuais, caso o desconto com que a estatal negocia em relação às grandes petroleiras internacionais seja reduzido. Para o banco, o principal gatilho para uma nova alta não está em mudanças profundas na operação da companhia, mas na diminuição da percepção de risco e do retorno exigido pelos investidores. A avaliação foi feita após forte valorização das ações da Petrobras na segunda-feira, quando as preferenciais (PN) subiram mais de 8%, impulsionadas pelo resultado do primeiro turno das eleições. Mesmo após a alta, o Itaú BBA mantém a companhia como sua principal escolha no setor de petróleo e gás. Os papéis PN da Petrobras registravam alta de 0,41% às 11h, negociados a R$ 54,09.
O banco afirma que a Petrobras ainda está barata em relação às concorrentes internacionais. Segundo o Itaú BBA, as ações da estatal são negociadas com desconto em comparação com as grandes petroleiras do mundo. Se essa diferença diminuir, os papéis poderiam subir cerca de 34%. Em outra comparação, que considera o retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações, o potencial de valorização chega a 37%. A queda do risco brasileiro também pode elevar o preço das ações da Petrobras. O cenário-base do banco trabalha com custo de capital próprio de 14,2%. Uma redução de 1,5 ponto percentual, movimento próximo ao indicado pela curva de juros futuros após o resultado eleitoral, faria o potencial de alta até o preço-alvo passar dos atuais 19% para 31%.
No cenário mais favorável, a valorização poderia chegar a 40%. O Itaú BBA afirma que uma aproximação dos múltiplos da Petrobras aos das grandes petroleiras poderia resultar em alta adicional entre 35% e 40% sobre os preços atuais. A avaliação considera que boa parte desse movimento viria da redução do risco percebido pelos investidores, e não necessariamente de uma melhora expressiva nos resultados da empresa.
Os analistas do banco esperam a manutenção da atual política de combustíveis, embora vejam espaço para uma execução melhor. O Itaú BBA considera atualmente os preços de gasolina e diesel cerca de 5% abaixo da paridade de importação no longo prazo. Caso a Petrobras passe a praticar a paridade integralmente, o preço-alvo aumentaria em cerca de R$ 6 por ação, ou 9%. Outro possível gatilho seria a retomada de desinvestimentos em ativos considerados não estratégicos. O banco também vê como positivo um eventual recuo em projetos fora do negócio principal, como fertilizantes e distribuição de combustíveis e GLP. Esses investimentos poderiam consumir cerca de US$ 20 bilhões no médio e longo prazo caso todos fossem adiante. Já o corte de custos teria efeito mais limitado. Uma redução de R$ 2 bilhões nas despesas gerais e administrativas acrescentaria aproximadamente R$ 2 por ação ao preço-alvo, impacto de cerca de 3%. Por isso, o banco considera que ganhos de eficiência sozinhos dificilmente mudariam de forma relevante a tese de investimento para a Petrobras.