OMS quer detectar pandemias em 24 horas até 2030

Sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça - Foto: Hector Christiaen / Shutterstock.com
A OMS lançou uma estratégia de cinco anos para que todos os países identifiquem ameaças à saúde em até 24 horas, usando IA e vigilância genômica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta ambiciosa: até 2030, todos os países do mundo deverão ser capazes de detectar e avaliar ameaças à saúde em até 24 horas após seu surgimento. A iniciativa integra uma nova estratégia de cinco anos do Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias, anunciada na segunda-feira (12), com foco na identificação precoce de surtos e na prevenção de crises sanitárias de maior escala.
O plano prevê ampliar o uso de inteligência artificial (IA) para monitorar informações públicas em tempo real, fortalecer o sequenciamento genômico de agentes infecciosos e criar mecanismos para mobilizar rapidamente especialistas em modelagem e ciência de dados. A proposta também inclui o desenvolvimento de sistemas digitais seguros para o compartilhamento de informações entre países e parceiros. Ao discursar na abertura da Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, na Alemanha, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias se tornou parte integrante do sistema global de segurança em saúde. Com a nova estratégia, a instituição pretende reunir governos e parceiros para responder às ameaças antes que elas se transformem em grandes crises.
Criado em 2021 com apoio do governo da Alemanha, o Centro surgiu em resposta às falhas e lacunas de preparação evidenciadas pela pandemia de Covid-19. Desde então, a instituição trabalhou com 160 Estados-membros da OMS, 190 organizações parceiras e milhares de cientistas e responsáveis por decisões na área da saúde. Entre as prioridades para os próximos cinco anos está o uso de inteligência artificial para examinar diariamente milhares de fontes públicas em tempo real. A tecnologia deverá ajudar a identificar sinais que indiquem o possível surgimento de ameaças à saúde. Outra frente prioritária é o fortalecimento das capacidades de sequenciamento genômico e bioinformática, ferramentas que permitem identificar e compreender os agentes infecciosos e que podem contribuir para acelerar o desenvolvimento de testes diagnósticos, tratamentos e vacinas. A estratégia também prevê conectar mais de 2 mil especialistas em modelagem e ciência de dados, que poderão ser mobilizados rapidamente diante de novas ameaças. O trabalho desses profissionais pode auxiliar na análise de cenários e na compreensão da possível evolução de surtos.
A iniciativa inclui ainda o fortalecimento da Vigilância Colaborativa, que está sendo implementada em mais de 83 países. A proposta busca ampliar a cooperação e a troca de informações necessárias para detectar e avaliar riscos sanitários em escala global. Outro eixo central é a criação de sistemas digitais seguros que permitam o compartilhamento de dados entre governos e organizações parceiras. A intenção é facilitar a circulação de informações relevantes para que as autoridades possam avaliar ameaças e organizar respostas de forma coordenada, antes que os surtos se espalhem para outras regiões. A OMS considera que o fortalecimento dessas capacidades nacionais e internacionais é fundamental para identificar riscos emergentes e agir com rapidez. A meta de detecção e avaliação em até 24 horas representa o objetivo central do plano para 2030, enquanto as ações previstas buscam ampliar a preparação global para futuras epidemias e pandemias.