A três semanas das eleições, Netanyahu enfrenta críticas sobre segurança

Netanyahu. Fonte: World Economic Forum via Flickr.
A três anos do ataque do Hamas, Netanyahu enfrenta críticas sobre falhas de segurança antes das eleições de 27 de outubro em Israel
A poucas semanas das eleições legislativas em Israel, marcadas para 27 de outubro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta críticas crescentes sobre sua capacidade de proteger o país. Três anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro, opositores e parte da população questionam o líder israelense mais longevo no cargo, apontando falhas graves de segurança que podem custar-lhe a permanência no poder.
Netanyahu sempre fez da segurança o pilar central de sua doutrina política. No entanto, a disputa eleitoral que se aproxima promete ser acirrada, e seus críticos sustentam que ele falhou justamente naquilo que sempre prometeu garantir.
Durante uma cerimônia oficial de homenagem às vítimas do 7 de outubro, o pai de um dos 1.221 mortos confrontou o dirigente israelense, de 76 anos, diretamente. "Você não soube proteger meu filho em 7 de outubro nem as outras 1.200 pessoas assassinadas. Você deveria se envergonhar!", disse o pai durante o evento.
Ao longo de dois anos de campanha militar israelense em Gaza, o Hamas sofreu milhares de baixas e seus principais líderes foram mortos. Ainda assim, o movimento islamista palestino está longe de ter sido "eliminado", como prometeu o governo de Netanyahu.
Situação semelhante ocorreu no Líbano com o Hezbollah, movimento pró-Irã, e com o próprio regime de Teerã. O líder supremo Ali Khamenei foi assassinado no primeiro dia da ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos, em 28 de fevereiro, mas a república islâmica, arqui-inimiga de Israel, continua de pé.
Alertas ignorados e novas revelações
A situação se complicou ainda mais para Netanyahu quando meios de comunicação locais e americanos revelaram, no mês passado, que os Emirados Árabes Unidos e o Egito o haviam advertido, dias antes de 7 de outubro, de que o Hamas poderia estar preparando um ataque em grande escala. Segundo o jornal israelense de esquerda Haaretz, Netanyahu não teria repassado essa informação aos serviços de segurança. O dirigente negou a acusação, mas o episódio alimentou ainda mais o discurso da oposição.
"Ele sabia que algo ia acontecer", acusou Gadi Eisenkot, ex-alto comandante militar e principal adversário de Netanyahu nas eleições, durante uma conferência sobre combate ao terrorismo. Eisenkot, junto a outros opositores, reivindica a criação de uma comissão nacional de investigação para apurar os responsáveis pelas falhas de segurança de 7 de outubro, algo que o governo tem se recusado a aceitar até agora.
O incidente envolvendo um voo da Flydubai com destino a Tel Aviv, frustrado na semana passada após a intervenção dos passageiros, em sua maioria israelenses, reacendeu as críticas sobre a gestão da segurança. O principal questionamento é se foram realizadas verificações de antecedentes sobre o copiloto omanense, acusado de agredir o capitão e tentar derrubar o avião.
Embora Netanyahu tenha tentado, em um primeiro momento, tirar proveito político do episódio, seu governo acabou sendo acusado de ter falhado nas medidas de proteção em aeronaves com destino a Israel. "Exatamente três anos depois da mais terrível falha de segurança na história do Estado de Israel (...), uma nova falha foi revelada" com este episódio, escreveu o importante editorialista Ben Caspit nas páginas do jornal Maariv.
Os apelos pela renúncia da ministra dos Transportes, Miri Regev, ganharam força após o incidente. Netanyahu ordenou no domingo uma "análise exaustiva" das medidas de segurança nos voos.
Estas críticas "podem fragilizar Netanyahu porque colocam o foco em sua principal fraqueza: a confiança em sua capacidade de proteger os israelenses", explicou à AFP Michael Horowitz, analista independente especialista em geopolítica.
Apesar das polêmicas, as pesquisas mostram que, embora a popularidade do premiê esteja em queda em relação à de Eisenkot, nenhum dos dois gera amplo consenso no país. Para Horowitz, Netanyahu "pode convencer seus eleitores de que soube como responder", relegando as falhas de segurança a um segundo plano e fazendo prevalecer as vitórias militares obtidas em Gaza e no Líbano.