Eleições de Israel ainda não dão maioria para Netanyahu ou oposição

Bandeira de Israel - Reprodução/Pexels
Com 85% das urnas apuradas, nenhum bloco alcançou as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento israelense
Com a contagem de votos ainda em andamento nesta quinta-feira (29), as eleições em Israel não têm vencedor definido. Nem o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o principal rival, Gadi Eisenkot, conseguiram as 61 cadeiras no Parlamento necessárias para formar maioria. A previsão é que a apuração seja concluída nesta sexta-feira (30). A última atualização, com 85% das urnas apuradas, indicava a coligação de Netanyahu com 54 dos 120 assentos no Knesset, o Parlamento israelense. Sem maioria garantida, os partidos já começam a discutir possíveis coligações para definir quem governará o país. Um dos destaques da apuração foi o desempenho dos partidos árabes, que alcançariam a marca recorde de 17 cadeiras.
O resultado levou o líder da coligação de esquerda majoritariamente árabe a defender a criação de "uma verdadeira aliança judaico-árabe". No entanto, a maior parte da oposição judaica descartou governar ao lado de partidos liderados por palestinos, que foram alvos de acusações racistas ao longo da campanha. Netanyahu, por sua vez, seguiu retratando os cidadãos palestinos como um inimigo dentro do próprio Estado. Ao longo da apuração, o Likud, partido de Netanyahu, fez acusações, sem apresentar provas, de que as siglas de maioria árabe teriam "roubado" as eleições.
A denúncia afirma que esses partidos operaram na compra de votos, intimidação de eleitores e manipulação de cédulas. O pleito foi o primeiro em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. A votação na última terça-feira (27) foi marcada por forte polarização e comparecimento recorde nas urnas: 44,9% durante a tarde, o maior índice desde 1973, segundo dados da comissão eleitoral. O resultado determinará se Netanyahu, que responde a um processo por corrupção, permanecerá no poder de um país que vive há três anos em estado de guerra e de grave crise social. O premiê, de 76 anos, é o que permaneceu por mais tempo no cargo, em vários períodos não consecutivos.