MDB se divide no apoio a Lula e Flávio no 2º turno

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro © Ricardo Stuckert/PT e Vittor Sales/PL
Dez diretórios do Norte e Nordeste do MDB declaram apoio a Lula, enquanto 17 diretórios de outras regiões se alinham a Flávio Bolsonaro
O MDB se dividiu internamente no segundo turno das eleições presidenciais, com 10 diretórios estadiais das regiões Norte e Nordeste declarando apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O posicionamento contrasta com o dos diretórios das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que optaram por integrar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os diretórios do MDB que manifestaram apoio a Lula são os dos estados do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Todos esses diretórios são liderados por figuras políticas com proximidade ao presidente.
Em nota divulgada na terça-feira, 13, os diretórios afirmaram estar ao lado de Lula pela "defesa da liberdade, da democracia e da soberania do povo brasileiro, exercida por meio do voto direto". O documento também "reafirma compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a promoção da justiça social". Os diretórios declararam ainda que apoiam o trabalho realizado por Lula até o momento e que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro significaria "deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando".
Do outro lado, os 17 diretórios restantes do MDB posicionaram-se ao lado de Flávio Bolsonaro. O anúncio formal desse apoio estava previsto para ocorrer ainda na mesma terça-feira, 13, no escritório político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No primeiro turno das eleições, o MDB havia optado por não apoiar nenhum candidato ao Palácio do Planalto, liberando os diretórios estaduais para definir seus posicionamentos de acordo com a realidade política local. Embora o PT tivesse o desejo de atrair o partido para a coligação de Lula, fontes do MDB indicaram que nunca houve uma negociação concreta nesse sentido. Vale lembrar que o MDB chegou a ocupar três ministérios de peso no governo Lula: o de Planejamento, com Simone Tebet; o de Transportes, com Renan Filho; e o de Cidades, com Jader Filho. A divisão interna do partido reflete as diferentes orientações políticas regionais que marcam o MDB neste segundo turno.