Marcilio Alves: ''BH acompanha uma transformação global: O bem-estar como luxo''

Marcilio Alves: ''Belo Horizonte acompanha uma transformação global: O bem-estar como novo luxo'' (Crédito da imagem: Divulgação/Technogym)
Investimentos em academias, experiências de autocuidado e tecnologia mostram como a economia wellness ganha espaço na capital mineira
Quanto vale uma hora dedicada a você?
Em uma rotina na qual quase tudo disputa nossa atenção, reservar tempo para cuidar do corpo, descansar e recuperar a disposição tornou-se um desejo capaz de movimentar negócios. E Belo Horizonte começa a traduzir, em novos endereços e investimentos, uma transformação que já ocupa espaço nas estratégias das marcas de luxo internacionais.
A expressão "wellness" reúne diferentes atividades relacionadas ao bem-estar, como exercícios, alimentação, relaxamento e autocuidado. Necessidades antigas que hoje se articulam em uma economia de grandes proporções. Minha leitura é que esses movimentos revelam uma ampliação do desejo por tempo disponível, atenção individual e tranquilidade passam a compor a percepção de uma vida privilegiada.
Lá fora isso já está bem consolidado, a Belmond, marca de hospitalidade da LVMH, que também opera o Copacabana Palace no Rio de Janeiro, apresenta sua proposta de Slow Luxury a partir da valorização do tempo e de experiências que convidam a desacelerar e se reconectar com o mundo ao redor. No Cheval Blanc Paris, a Dior associa seu savoir-faire a uma experiência de bem-estar, com tratamentos, ambientes de relaxamento e atendimento personalizado.
Em outubro do ano passado eu escrevi aqui no portal N3News um artigo que já falava sobre a relevância econômica deste tema: segundo o Global Wellness Institute, o mercado mundial de bem-estar é maior que o PIB da Alemanha e do Japão juntos, este novo setor da economia deve ultrapassar US$ 9 trilhões até 2028, segundo o Global Wellness Institute. O Brasil responde por aproximadamente US$ 125 bilhões, ocupando a 11ª posição mundial no levantamento de países divulgado em janeiro de deste ano.
É nesse contexto que o wellness vem se consolidando, e esses números ajudam a colocar em perspectiva o que observamos na capital mineira. As inaugurações e os projetos anunciados em 2026 sugerem que BH acompanha essa transformação, com propostas que integram atividade física, recuperação, hospitalidade e convivência.
No segmento de alto luxo, a SIX prepara sua primeira unidade em Belo Horizonte, no Belvedere, com abertura prevista para o fim de novembro de 2026. O projeto tem investimento anunciado de R$ 20 milhões e cerca de 2 mil metros quadrados. A estrutura prevista reúne áreas de convivência, saunas, Hot Yoga e espaço de recuperação com acompanhamento de fisioterapeuta, além de spa e relaxamento.
Já nos bairros Buritis e Castelo, a rede Contorno do Corpo inaugurou os CTNs, Centro de Treinamento da Contorno, com aproximadamente 2.500 metros quadrados. A estrutura inclui musculação, estúdio de spinning e banheira de recuperação muscular. O cuidado depois do esforço passa a integrar a experiência oferecida ao aluno.
Na hotelaria, além da excelência em hospedagem, o Hotel Fasano Belo Horizonte trouxe um sofisticado serviço, o SPA Fasano, que fica na cobertura do edifício e é composto por três salas de terapias, sauna úmida e piscina wellness. Outra proposta é a do Palazzo Torquetti, na Avenida Raja Gabaglia, anunciou uma nova academia para hóspedes, ampliando sua estrutura de bem-estar. O espaço se soma à piscina, à sauna e ao spa já existentes no rooftop. Para quem viaja, preservar hábitos de cuidado passa a fazer parte da experiência de hospedagem.
Outro sinal do crescimento wellness no mercado mineiro é a chegada da boutique da Technogym ao Belvedere. A fabricante italiana investiu R$ 4 milhões em sua primeira boutique no estado, localizada no Pátio III. O espaço permite conhecer e experimentar equipamentos destinados a residências, academias, hotéis e condomínios. Entre as soluções estão a linha Personal, assinada por Antonio Citterio, e o Technogym Checkup, que avalia parâmetros físicos e cognitivos para orientar programas personalizados de treinamento.

Equipamento Technogym Checkup - Créditos Divulgação
Segundo a empresa, Minas Gerais já representa seu terceiro maior mercado estadual em faturamento no Brasil. A meta anunciada é dobrar as vendas na região e levar o estado à segunda posição A boutique também ilustra como tecnologia, design e orientação se aproximam. Experimentar um equipamento e compreender como ele pode se integrar à própria vida fazem parte da construção de valor.
É possível perceber um ponto de encontro entre essas iniciativas locais e as experiências internacionais: a busca por um cuidado individualizado, capaz de respeitar preferências e tornar a rotina mais conveniente. Mas isso não significa que o wellness se resuma ao mercado de luxo. O destaque dos empreendimentos de alto padrão é uma das faces desse movimento. Ampliar o acesso ao bem-estar continua sendo um desafio.
Ainda assim, esse contexto oferece pistas relevantes para as marcas. Em um mundo acelerado, as marcas têm a oportunidade de tornar a vida um pouco mais leve, confortável e prazerosa. Talvez o luxo mais desejado do nosso tempo seja ter disposição para viver, saúde para aproveitar e tranquilidade para vivenciar o presente, e as marcas que compreenderem essa mudança do consumidor sairão na frente.
Vamos Refletir?
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