Lula tenta virada inédita para conquistar quarto mandato

Presidente Lula durante um ato político com parlamentares eleitos © Lula Marques/Agência Brasil
Lula disputa segundo turno contra Flávio Bolsonaro e tenta virada histórica que nunca ocorreu desde 1989, além de buscar um quarto mandato inédito
Aos 80 anos, e próximo de completar 81, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa neste domingo (25) um segundo turno histórico contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Derrotado no primeiro turno, Lula tenta uma virada que nunca aconteceu desde que os brasileiros voltaram a votar para a Presidência da República, em 1989. Se vencer, o petista também se tornará o primeiro presidente a conquistar um quarto mandato na história do país.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos, o equivalente a cerca de 56,1 milhões de eleitores. Lula ficou com 45,16%, ou 53,8 milhões de votos, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos. A disputa, portanto, chega ao segundo turno com o incumbente precisando reverter uma desvantagem inédita no histórico eleitoral brasileiro.
O balanço oficial da Justiça Eleitoral registrou 119.300.788 votos válidos no primeiro turno. Brancos somaram 2.300.781 (1,84%) e nulos atingiram 3.674.149 (2,93%). A eleição também bateu o recorde histórico de abstenção, com 33 milhões de eleitores ausentes, representando 21% do eleitorado total. Outros 9,3 milhões votaram nos candidatos derrotados.
Ao todo, cerca de 48,2 milhões de votos permanecem em disputa, e a campanha de Lula apostou em conquistar eleitores da terceira via, os que votaram branco ou nulo, e os que não compareceram às urnas. No último dia de campanha, neste sábado (24), Lula reforçou o otimismo diante de uma possível virada. O presidente realizou um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, cidade que é reduto eleitoral de Flávio e que deu a vitória ao senador por menos de 1 milhão de votos no primeiro turno. À tarde, Lula encerrou a campanha em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde venceu no primeiro turno com 46,58% dos votos válidos.
"Neste segundo turno, a sociedade brasileira resolveu assumir a responsabilidade de dizer que a eleição não é uma coisa de partido político, mas uma coisa de pessoas que se preocupam com o país, que se preocupam com o dia a dia das pessoas, e pessoas que não querem permitir que um miliciano vá para o Palácio do Planalto. [...] Por isso, estou convencido de que vamos vencer as eleições. Nós trabalhamos muito para convencer as pessoas que não foram votar ou que anularam o voto", afirmou o presidente.
As pesquisas de véspera divulgadas neste sábado confirmam o cenário de disputa acirrada. O instituto Datafolha aponta vitória de Flávio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. Considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais (p.p.), para mais ou para menos, o levantamento indica empate técnico. A Quaest apresenta os mesmos percentuais: Flávio com 51% e Lula com 49%, também em empate técnico dentro da margem de erro de 2 p.p. Ambos os institutos realizaram suas pesquisas entre os dias 23 e 24 de outubro, com nível de confiança de 95%.
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, Lula fez carreira política em São Paulo, onde foi morar ainda criança. Com trajetória marcada pela liderança sindical, governou o Brasil por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010, e busca agora a reeleição para consolidar seu quarto período à frente do país. Sua chapa mantém a aliança com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), médico e ex-governador de São Paulo, de 73 anos.